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BULLYING: origem e soluções

“Todos os dias, alunos no mundo todo sofrem com um tipo de violência que vem mascarada na forma de “brincadeira”. Estudos recentes revelam que esse comportamento, que até há bem pouco tempo era considerado inofensivo e que recebe o nome de bullying, pode acarretar sérias consequências ao desenvolvimento psíquico dos alunos, gerando desde queda na auto-estima até, em casos mais extremos, o suicídio e outras tragédias.” Diogo Dreyer

 

Para acrescentar mais esclarecimentos aos textos sobre bullying, apresento o trabalho de Diogo Dreyer. Vocês encontrarão nos parágrafos muitas informações interessantes. Principalmente sobre o trabalho da Abrapia (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência) pelas palavras do médico Aramis Lopes Neto. Origem

O bullying começou a ser pesquisado cerca de dez anos atrás na Europa, quando se descobriu o que estava por trás de muitas tentativas de suicídio entre adolescentes. Sem receber a atenção da escola ou dos pais, que geralmente achavam as ofensas bobas demais para terem maiores conseqüências, o jovem recorria a uma medida desesperada. Atualmente, todas as escolas do Reino Unido já implantaram políticas anti-bullying.

Especialistas revelam que esse fenômeno, que acontece no mundo todo, pode provocar nas vítimas desde diminuição na auto-estima até o suicídio. “bullying diz respeito a atitudes agressivas, intencionais e repetidas praticadas por um ou mais alunos contra outro. Portanto, não se trata de brincadeiras ou desentendimentos eventuais. Os estudantes que são alvos de bullying sofrem esse tipo de agressão sistematicamente”, explica o médico Aramis Lopes Neto, coordenador do primeiro estudo feito no Brasil a respeito desse assunto — “Diga não ao bullying: Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes”, realizado pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia). Segundo Aramis, “para os alvos de bullying, as conseqüências podem ser depressão, angústia, baixa auto-estima, estresse, absentismo ou evasão escolar, atitudes de autoflagelação e suicídio, enquanto os autores dessa prática podem adotar comportamentos de risco, atitudes delinqüentes ou criminosas e acabar tornando-se adultos violentos”.

Os estudos da Abrapia demonstram que não há diferenças significativas entre as escolas avaliadas e os dados internacionais. A grande surpresa foi o fato de que aqui os estudantes identificaram a sala de aula como o local de maior incidência desse tipo de violência, enquanto, em outros países, ele ocorre principalmente fora da sala de aula, no horário de recreio.

Soluções

Para quem é vítima de algum desses tipos de humilhação, a saída é “se abrir”, ou seja, procurar ajuda, começando pelos próprios pais.

E quem tem um filho passando por esse problema precisa mostrar-se disponível para ouvi-lo. Nunca se deve aconselhá-lo a revidar a agressão; mas, sim, esclarecer que ele não é culpado pelo que está acontecendo. Também é fundamental entrar em contato com a escola.

Mas, se os pais não têm certeza de que seu filho sofre com essa violência, podem ficar atentos aos seguintes aspectos: “Os alunos-alvo são crianças ou adolescentes que são, sistematicamente, discriminadas, humilhadas ou intimidadas por outros colegas. Geralmente, eles têm poucos amigos, procuram se isolar do grupo e são identificados por algum tipo de diferença física ou comportamental. Além disso, têm dificuldades ou inabilidades que os impedem de buscar ajuda, são desesperançados quanto a sua aceitação no grupo e tendem a um comportamento introvertido”, explica Aramis.

Especialistas do mundo inteiro concordam sobre o fato de que o papel dos pais — tanto de alunos agressores como de agredidos — é fundamental para combater a violência moral nas escolas e de que eles precisam saber lidar com a situação. No caso dos pais de agressores, é preciso que se convençam e mostrem aos filhos que esse comportamento é prejudicial a eles. “De acordo com dados obtidos em trabalhos internacionais, não existe escola sem bullying. O objetivo é alterar a forma de avaliação do que é uma brincadeira e do que é bullying, mudando o enfoque da questão para a valorização do sentimento de quem sofre bullying, ou seja, respeitando seu sofrimento e buscando soluções que amenizem ou interrompam isso”, diz o coordenador da Abrapia. “Os autores de bullying podem se tornar líderes entre os alunos por disseminarem o medo e estarem repetindo seu modelo familiar, em que a afetividade é pobre ou a autoridade é imposta por meio de atitudes agressivas ou violentas”, completa.

Segundo Aramis, a única maneira de combater esse tipo de prática é a cooperação por parte de todos os envolvidos: professores, funcionários, alunos e pais: “Todos devem estar de acordo com o compromisso de que o bullying não será mais tolerado. As estratégias utilizadas devem ser definidas em cada escola, observando-se suas características e as de sua população. O incentivo ao protagonismo dos alunos, permitindo sua participação nas decisões e no desenvolvimento do projeto, é uma garantia ainda maior de sucesso. Não há, geralmente, necessidade de atuação de profissionais especializados; a própria comunidade escolar pode identificar seus problemas e apontar as melhores soluções”. Para o médico, a receita é promover um ambiente escolar seguro e sadio, onde haja amizade, solidariedade e respeito às características individuais de cada um de seus alunos. “Enfim, é fundamental que se construa uma escola que não se restrinja a ensinar apenas o conteúdo programático, mas também onde se eduquem as crianças e adolescentes para a prática de uma cidadania justa”, finaliza.

Termino comentando sobre o momento de discursão e esclarecimento de hoje, no nosso Quadro “Sopa de Letrinhas”, do Programa Toque Feminino, com Valéria Magalhães da Rádio Catedral (FM 102,3) com a incrível participação da Psicóloga Ana Stuart, espero que todos tenham conquistado uma [cons]ciência do assunto.

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BULLYING: mais reflexões

“Quem agride, quer que o seu alvo se sinta infeliz como na verdade ele é. É provável que o agressor também tenha sido humilhado um dia, descarregando no mais frágil a sua própria frustração e impotência.” Maluh Duprat

Hoje, com a semana no início, quero começar escrevendo mais um pouquinho sobre bullying, na tentativa de despertar em mais pessoas a vontade de ajudar a vencer essa prática e de abrir os olhos de quem ainda não percebe quando se vê com o problema a sua volta. Apesar da descrição simples – uma discriminação, feita por alguns cidadãos contra uma única pessoa – não se trata de mero probleminha. Bulling pode ser um mal que se carregará durante um período da vida muitíssimo grande.

Quando alguém diz que você está gorda, uma baleia, que seu cabelo está feio, você irá rapidamente ao espelho para conferir ou se arrumar. Agora, pense bem: imagine duas, três, dez pessoas, todo o dia, todo o tempo, falando mal do seu cabelo, de seu corpo e diversas outras coisas que você não tem culpa por ter ou não. Isso seria insuportável e os causadores, infelizmente, tratados por alguns como heróis.

Esses agressores criam apelidos como “baleia”, “quatro olhos”, “vareta”, “mongol” e muitos outros. Também usam de atitudes como chutes, empurrões e puxões de cabelo com alunos dedicados, que geralmente sofrem  represalias por parte de alguns “colegas”. Em geral, não por características físicas mas pelas intelectuais. São comportamentos típicos de alunos em sala de aula. Brincadeiras próprias da idade? Não. São atos agressivos, intencionais e repetitivos, que ocorrem sem motivação evidente e que caracterizam o chamado fenômeno bullying.

O que tem me assustado muito é o resultado de estudos mundiais revelando que, de 5% a 35% dos alunos estão envolvidos nesse tipo de comportamento. Mais assustador ainda, são os números em nosso país, quando alguns estudos demonstram que esses índices chegam a 49%. O fenômeno acontece nos seus diversos aspectos: escolar, familiar, social, cultural, ético, legal e saúde.

Com os avanços da tecnologia, esse constrangimento saiu das escolas (onde era um lugar comum) e ganhou força na internet.  A nova prática recebeu o nome de “Cyberbulling” e se apossou dos blogs, Orkut, Msn, etc. O agressor nesse caso, muitas vezes escondido atrás de um apelido, dissemina sua raiva e felicidade enviando mensagens ofensivas a outras pessoas. Em muitos casos, ele exibe fotos comprometedoras, altera o perfil das vítimas e incita terceiros a reforçar o ataque. O único propósito é a humilhação da vítima e isolamento daquele que é considerado mais fraco ou diferente.

Não é interessante responder às provocações, pois é exatamente isso que ele quer. Não se deve manter segredo da ofensa, intimidando-se.  A vítima deve refletir e se questionar sobre os próprios complexos, aprendendo a lidar com eles. Buscar ajuda na família e nos profissionais da escola (ou do local onde a prática está acontecendo) pode fazer toda a diferença.

Pra terminar, cabe lembrar que bulling não é nada bom. Se você conhece alguém que sofre com isso, ajude-o. Pois você se beneficiará com uma nova amizade, além de ajudar o próximo.

NÃO PERCAM!  Amanhã, 12 de abril, às 12h30, no Programa da Valéria Magalhães – Toque Feminino, Quadro Sopa de Letrinhas – falaremos novamente sobre Bullying. (Rádio Catedral FM 102,3)

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