O ‘estar’ alfabetizado

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Estar alfabetizado é estar dominando a leitura e a escrita, ou seja, é ter a compreensão de como funciona o uso da linguagem para poder desenvolver o seu nível social. Não se trata apenas de ler e escrever, muito mais abrangente, estamos tratando da capacidade de compreensão do indivíduo: interpretação e produção de conhecimento. Falamos da fase em que se inicia o processo de formação intelectual e pessoal da criança.

Para despertar o interesse da criança, o ambiente deve incentivar à leitura. Ela deve ler por prazer, sem cobranças e deve ter esse hábito estimulado desde pequena, ouvindo histórias (pontos de partida para esse estímulo). Se desde pequena a criança é acostumada a escutar historinhas e manusear livros, a ela é possibilitada o conhecimento da leitura e da escrita muito mais rápido do que aquela que não teve esses princípios.

Mas, ainda que muitas famílias tenham essa informação e, com ela concordem, a rotina sufocante e corrida, impossibilita, muitas vezes, instituir algumas das práticas importantes para auxiliar a criança nesse processo alfabetizador.

Cabe, então, à escola, viabilizar estratégias que proporcionem ao aluno um nível desenvolvido de bens culturais e materiais. São livros, jogos, músicas, filmes, desenhos, sempre de forma dinâmica e lúdica, com muita tecnologia (não estamos falando de tablets), que estimulam o prazer de aprender. Afinal, o aluno vai para a escola com toda a energia e é esta instituição que deve canalizar este potencial através de atividades que provocam manifestações de alegria e, quando bem direcionadas, beneficiam a aprendizagem.

Na zona norte de Juiz de Fora existe uma escola que trabalha assim. Para os que concordam com esta forma de canalizar o potencial de crianças para um aprender alegre e equilibrado emocionalmente, cabe procurar e conhecer o trabalho na prática. Fica a dica!

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Compra de material escolar deve ser negociada entre pais e filhos em MG

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Olá! O sábado passou sem chuvas e a noite está chegando com umas nuvens que comprovam a previsão do tempo anunciada na TV. Conferindo o site do G1 (que eu gosto tanto) vi que a jornalista Nathalie Guimarães publicou a conversa que tivemos sobre as escolhas do material escolar. Segue o texto na íntegra. Aproveitando: bom domingo!

Psicopedagoga de Juiz de Fora explica que é preciso fazer compensações.

Janeiro é época de renovar os materiais escolares para mais um ano letivo. São muitas opções, itens mais simples, mais caros, coloridos, da “moda”, e os pais esbarram na vontade e nos gostos dos filhos no momento de escolher o que será comprado. Nesse contexto, a psicopedagoga de Juiz de Fora, Clara Duarte, orientou que é importante saber negociar com os filhos, além de conscientizá-los sobre os valores dos objetos.

A profissional ressaltou que, na hora de escolher e comprar o material escolar, é preciso bom senso e negociação entre pais e filhos. “É sempre preciso buscar o equilíbrio. Não tem problema comprar um material da ‘moda’, mas tem que combinar com a criança”, explicou.

Ela ainda destacou ser favorável levar os filhos à papelaria como uma maneira de esclarecer a visão delas sobre os preços dos produtos. “Caso a criança queira um determinado caderno, o pai pode negociar com a criança, compensando a compra com borrachas e apontador mais simples”, exemplificou.

No entanto, a psicopedagoga informou que ter muitos desses materiais coloridos e característicos da “febre” do momento pode ser um fator de distração em sala de aula, além de fascinar os colegas, que começam a pedir aos pais o mesmo produto. “Esse estímulo ao consumismo pode prejudicar a concentração do aluno já que a criança passa a entender o material como um brinquedo. Elas estão em uma idade lúdica”, explicou.

Clara afirmou que padronizar todos os materiais é um exagero, mas disse que existe a necessidade de uniformizá-los para evitar que um aluno se sinta constrangido em relação ao outro. “As crianças têm as preferências delas e é preciso entendê-las. Cabe ao colégio cobrar o conteúdo, tarefas bem feitas e capricho do aluno”, relatou.

Em um colégio de Juiz de Fora, não existe padronização do material escolar em cores, por exemplo, mas a escola faz algumas sugestões. “Orientamos para que o material seja simples e leve para não pesar na mochila e não estimular o consumismo”, explicou a coordenadora de educação infantil ao 5º ano, Maria Matilde Rodrigues, que ainda explicou que a orientação visa evitar comparações entre os alunos, além de dispersão e desconcentração em sala de aula.

A fonoaudióloga Lúcia Maricato prefere ir sozinha às compras e, segundo ela, os dois filhos, Gustavo, de 12 anos, e Stella, de nove, acatam as escolhas dela. Eles têm preferências, mas entendem quando a mãe conversa com eles sobre a diferença de preços dos materiais. “Digo a eles que eles são bons alunos e que merecem o que querem, mas que é preciso priorizar algumas coisas, principalmente neste início de ano em que há muitos gastos”, explicou.

Para personalizar os materiais de acordo com o gosto da menina, Lúcia e Stella decoram juntas os cadernos de capa dura com adesivos e figurinhas. No ano passado, os cadernos ganharam imagens de uma novela infantil e neste ano o tema escolhido foi o personagem animado de um jogo. “Ela gosta e é bom participar deste processo criativo”, contou a mãe Lúcia.

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Escolha do curso torna-se momento de indecisão para adolescentes

 

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Galera, o ano começou realmente, certo? Eu estava sumida daqui por total falta de tempo e, com esta nova postagem, espero vir aqui mais vezes… Para começar o ano, coloquei abaixo, na íntegra, o texto de Maria Barra Costa. Eu conversei com ela sobre escolha de cursos superiores e ela preparou um material bem bacana que foi publicado no jornal Diário Regional de Juiz de Fora hoje (15.01.2014). Espero que gostem!!!!

O momento de escolher o curso de graduação pode ser complicado para muitos adolescentes. Definir a profissão que, teoricamente, a pessoa irá seguir para o resto da vida torna a decisão ainda mais difícil.  Além disso, alguns pais, por preocupação, acabam pressionando os filhos para elegerem o serviço que irá garantir maior estabilidade financeira; mas, que não é, necessariamente, a opção do adolescente.

A psicopedagoga Clara Duarte afirma que recebe muito alunos nessa situação. “Eles não sabem se escolhem pelo que gostam, pelo que ganha mais dinheiro ou pelo curso em que já tem a pontuação necessária para passar”, conta. Geralmente, o último fator considerado nessa balança é, se, eles seriam felizes; conforme Clara. “Será que se eu entrar em um curso que vai me dar dinheiro, isso me fará feliz?” questiona.

A cada ano, Clara fala que os estudantes chegam mais jovens à decisão. “Apesar de toda informação rápida disponível na internet, ainda são muito imaturos. Mesmo lendo tudo sobre determinada profissão, entram na faculdade e veem que o curso não é exatamente aquilo que estavam pensando”, expõe.

Entretanto, a psicopedagoga aconselha os estudantes a realidade uma auto-análise na hora da escolha, tentando se imaginar daqui a dez anos como profissional. “Se não der certo, procurar alguém para fazer um teste vocacional é uma saída. E sempre responder da maneira mais sincera, sem conduzir para o resultado já pensado anteriormente”, completa. Por último, Clara lembra que, se o adulto se sentir feliz em sua profissão, as chances de conquistar seu espaço serão muito maiores. “A primeira palavra é felicidade”, termina.

A escolha e a decisão

O estudante de Engenharia Elétrica, Igor Machado, passa por um período de indecisão. Depois de dois anos de curso, o aluno pensa em trancar a matrícula, fazer cursinho novamente e prestar vestibular para Direito. “Já tenho essa vontade há um ano, na verdade, só não consegui passar ainda. Mas faço matérias relacionadas ao Direito para adiantar”, diz.

De acordo com ele, engenharia foi a escolha errada. “Optei por isso na época, porque tinha feito curso técnico na área e achei que estava indo pelo caminho certo”, relata. Igor destaca que vale a pena fazer o que tem vontade.

O caso do aluno de Comunicação Social, Caio Zóia, é um pouco diferente. Ele descreve que, desde criança, tenta mensurar o tamanho do mundo. “Eu ficava triste por saber que não conseguiria conhecer muita gente e não tomaria conhecimento de várias histórias pessoais”, afirma.

Caio fala que viu no jornalismo a oportunidade de reverter esse quadro. “Eu teria a oportunidade de sentar e ouvir alguém contando a sua vida”. Além disso, ele acredita que a possibilidade de denunciar e provocar algum tipo de movimentação ainda o encanta.

Apesar de ter apenas 13 anos, Maria Antônia já pensa em sua carreira futura. “Eu tenho vontade de fazer Direito. Acho que deve ser um trabalho bacana e com bom retorno”, opina. A adolescente aposta que a profissão permite uma grande possibilidade de atividades.

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Desarmamento Infantil

Hoje, conversei ao vivo com Marcelo Juliani, da Rádio Solar (AM-1010) , sobre o desarmamento infantil. O papo foi rápido mas interessante. Seguem algumas das minhas considerações:

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Foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal, na edição da última segunda-feira, 23 de setembro, a lei que proíbe a fabricação, venda, comercialização e distribuição de armas de brinquedo e réplicas de armas de fogo em todo o Distrito Federal (a lei não inclui as armas de pressão).

As réplicas de armas de fogo amedrontam as pessoas do mesmo modo que as armas de verdade. Segundo o coronel Luis Eduardo Goulart (chefe da comunicação social da PM do DF) arma não é brinquedo. Na hora do crime, a vítima fica sem condições de distinguir a arma de brinquedo de uma de fogo.”

Casos de assaltos com armas de brinquedo, infelizmente, são sempre registrados pelo Brasil mas tirar estas réplicas de circulação não é o suficiente para diminuir a violência. O governo precisa ter campanhas para as famílias. As escolas devem trabalhar a não violência. Tudo deve ser levado em consideração. Assim, aos poucos, começaremos a criar uma sociedade menos violenta.

É muito importante compreender que as coisas inseridas na rotina da criança vira um objeto familiar. Se elas têm acesso a armas e jogos violentos, esses elementos serão familiares para a criança. Quando ela crescer, haverá maior facilidade de incluir estes elementos em seu cotidiano.

Para finalizar, entendemos que não será toda criança com acesso aos jogos violentos e armas que farão uso dessa brutalidade no futuro. Dependemos de muitos fatores para se confirmar a prática violenta.

Fica, para cada um, a reflexão sobre como devemos nortear os conceitos e presentes que oferecemos aos pequenos e adolescentes.

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solar am

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Encontro de Gestores 2013

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Ontem, conforme publicado no jornal O Globo, aconteceu no Hotel Windsor Atlântica, em Copacabana, o “Encontro de Gestores do Sistema de Ensino GPI” (no qual sou autora). Foi um sábado proveitoso!

Hotel Windsor Atlântica

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 Na parte da manhã, Gustavo Ioschpe (Economista formado pela Yale University), ganhador do Prêmio Jabuti com o livro ”A ignorância custa um mundo”, ainda que polêmico, apresentou muitos dados de pesquisas que fizeram coordenadores, diretores e gestores questionarem práticas nas escolas.

Ioschpe

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Após a fala do Ioschpe, tivemos uma mesa de debates formada por alguns diretores de instituições de ensino que já utilizam o material, incluindo minha amiga Marcia Gioff, diretora pedagógica no Recreio.

Apresentação de Marcia Gioff

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Depois do almoço, Dalmir Sant’Ana conseguiu nos motivar maravilhosamente. Autor dos livros “Oportunidades” e “Menos pode ser mais”, Dalmir é excelente palestrante. Ele trouxe reflexões muito interessantes de forma bem humorada, deixando todos atentos, mesmo depois de almoçarmos deliciosos medalhões com molho rokfort e batatas fritas, além do ótimo brownie com sorvete de creme no restaurante La Fabrique.

La Fabrique

lafabrique

Dalmir

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O evento terminou sem que percebêssemos a hora passando. O cenário que víamos das janelas do hotel, lindíssimo, não foi desanimador visto o potencial do dia que nos foi preparado.

Vista do hotel

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Marcio Cohen, César Menezes, Laélia Gomes e toda equipe estão, definitivamente, de parabéns!

Eu e Marcia

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Eu e Dalmir

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Marcio Cohen

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César Menezes

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Ensaio fotográfico mostra antes e depois de pessoas que sofreram bullying na escola

“Mas o que é que viu ele refletido embaixo? Observou-se bem — já não era uma desajeitada ave feia e cinzenta. Era igual às orgulhosas aves brancas ali ao pé: era um cisne! Sentiu-se feliz por ter sofrido tantas dificuldades, porque agora dava valor à sua boa sorte e ao lar que finalmente tinha encontrado. “Os majestosos cisnes nadaram à sua volta e acariciaram-no com admiração com os bicos”. (Trecho da fábula “O Patinho Feio”)

A princípio planejei iniciar este texto com a célebre teoria de Heráclito sintetizada pela máxima “só a mudança é eterna”, ou com uma adaptação da mesma teoria presente na canção de Lulu Santos (“nada do que foi será”). No entanto, achei que a citação do conto infantil fosse mais apropriada aos casos apresentados no projeto Awkward Years Project (“Projeto Anos Difíceis”).

Idealizado pela designer gráfica americana Marilee, o projeto consiste em um ensaio fotográfico que apresenta pessoas que, no passado, sofreram algum tipo de bullying por sua aparência e hoje, já tendo superado tudo isso, posam para as câmeras mostrando fotos e se lembrando desse triste período de suas vidas.

A ideia surgiu quando uma amiga se recusou a acreditar que Marilee – hoje uma linda mulher – havia sofrido durante a juventude devido à sua aparência.

Na descrição, a autora comenta:

“Quero apresentar um grupo de pessoas que compartilham seus anos mais difíceis e mostrar o quão incríveis essas pessoas se tornaram. Este projeto é para todos vocês que estão lutando lá fora e para aqueles que amam observar o ‘antes e depois’ por meio de retratos.”

Veja algumas das fotografias abaixo:

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É claro que não podemos ser hipócritas e dizer que estas pessoas “venceram o bullying” apenas por terem crescido, mudado e, assim como o Patinho Feio, terem se tornado “belas pessoas”. De certo modo, acreditar que isso apenas reforçaria o padrão de beleza imposto pela sociedade.

Entretanto, este ensaio fotográfico vai além. Na Introdução do projeto, a autora conta um pouco sobre o que passou:

“(…) infelizmente eu sofria bullying. Se não fosse por eu ser tão magricela, sofria pelos meus 4 olhos (óculos) ou minhas roupas fora de moda”

A idealizadora do ensaio ainda afirma que, quando criança, voltou para casa chorando várias vezes.

Através dessas fotos, Marilee nos mostra como o bullying deixa cicatrizes que podem incomodar mesmo após a superação desse trauma.

“Eu sei que a foto foi tirada há 20 anos, mas o passado ainda me afeta. É como a mentalidade das pessoas com excesso de peso que emagreceram, mas ainda se vêem com gordura. É assim que me sinto. Eu posso parecer normal agora, mas eu ainda me vejo como uma nerd estranha.”

Deste modo, o Awkward Years Project pode ser visto como um incentivo de superação aos que ainda sofrem com qualquer tipo de bullying, e pode mostrar que qualquer indivíduo sempre possui outras qualidades e talentos e que isso não depende do fato de ele ser um reflexo do que a sociedade espera dele.

Por fim, peço permissão pra encerrar este post com um videoclipe da banda de Punk Rock/Hardcore Rise Against. Na música “Make it Stop” (“Faça isso Parar”), a banda fala sobre o bullying focando, sobretudo, o preconceito em relação à homossexualidade. Contudo, acredito que a música também possa se relacionar com o tema deste texto – principalmente nos últimos segundos, quando vemos pessoas que “superaram” o preconceito afirmando: “It gets better” (“Fica Melhor”, em tradução livre).

Diego Santos: Fashionatto

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Escola de Juiz de Fora que atende alunos com deficiência pode fechar

Ontem, a jornalista Laila Hallack, que fez excelente reportagem sobre a preocupação das mães da E. E. Maria das Dores que temem que filhos tenham que ir para escolas regulares, conversou um pouquinho comigo. Segue o texto:

Mães de alunos da Escola Estadual Maria das Dores, que atende pessoas com deficiência em Juiz de Fora, temem o fechamento da instituição. A aplicação da resolução federal 23.372 faz com que muitos estudantes do local tenham que ser remanejados para escolas regulares. De acordo com a Diretora Educacional da Superintendência Regional de Ensino (SRE), Mônica Oliveira, as mães podem ficar tranquilas, pois cada caso será analisado já para o ano de 2014.

A escola Maria das Dores foi criada com o objetivo de atender exclusivamente alunos com necessidades de atendimento especializado. Como o ensino é destinado a este público, em alguns casos os estudantes permanecem em sala de aula por mais tempo. Porém, a orientação do Ministério da Educação (MEC) impede, entre outras coisas, que os estudantes do primeiro, segundo e terceiro ano do ensino fundamental repitam de ano. Além disso, determina que no quarto ano apenas um aluno por turma possa ser reprovado.

A aplicação desta lei implica na saída de parte dos 100 alunos. As mães temem que isso possa resultar no fechamento da escola nos próximos anos. Pela legislação, por exemplo, Lucas, de 22 anos, não poderá continuar na escola. Ele, que tem autismo e sequelas de uma paralisia cerebral, frequenta o local há dez anos. A mãe, Dulcinéia Oliveira, não sabe o que fazer. “A minha preocupação é que ele fique ocioso, sem ter o que fazer. Aqui é o mundinho dele. Se ele sair daqui, vai para onde?”, lamentou a mãe.

Ainda segundo as mães, elas também foram informadas de que os alunos que precisarem sair da escola serão remanejados para outras instituições da cidade. Isso despertou mais uma preocupação entre elas: Será que as escolas regulares estão preparadas para recebê-los? “Eles não terão o atendimento que precisam. Alguns necessitam de trocar a fralda, de que dê comida na boca. Nas escolas regulares não têm profissionais que vão atender a essas necessidades dos nossos filhos”, destacou a dona de casa Priscila Filgueiras.

Muitos deles já tiveram essa experiência. O estudante Giovane Domingos, por exemplo, não gosta de lembrar sobre o tempo que passou em uma escola regular. “Eu me sentia muito triste, deprimido. Eles colocavam apelidos. Tinha muito deboche. Era muita bagunça dentro de sala, a professora ficava estressada. O ambiente era muito pesado”, disse Giovane.

A norma gera discussões. Para a psicopedagoga Clara Duarte, ter que passar o estudante de série pode gerar problemas pedagógicos independente se ele tiver ou não uma deficiência. “Se o aluno não recebeu a base e não conseguiu desenvolver o mínimo de raciocínio, no ano posterior aquela base pode fazer falta. Alguns alunos conseguem, mas muitos têm dificuldades”, ressaltou.

No caso específico dos alunos da escola Maria das Dores, segundo a especialista, romper com o processo de socialização a que os estudantes já estavam submetidos no local é o maior impacto. “Existem dificuldades emocionais e físicas. Os alunos estão juntos, unidos. Quando são separados, a mãe perde a tranquilidade. Logo, o aluno percebe essa insegurança da mãe e sente mais dificuldade”, explicou Clara Duarte.

Enquanto não sabem o que vai acontecer, as mães mantêm a rotina e buscam os filhos na escola, na expectativa de que essa não seja a última vez. “Quantas crianças já saíram daqui ou de outros colégios e estão na rua? Elas ficam sem estudar, sem fazer nada”, questionou a dona de casa Geni Dias do Nascimento.

Segundo a diretora educacional da Superintendência Regional de Ensino em Juiz de Fora, Mônica Oliveira, “os alunos que têm condições de acompanhar as escolas regulares serão encaminhados no plano de atendimento. Já aqueles que não têm condições, serão colocados no plano de atendimento para que a secretaria faça uma análise e dê um retorno para os atendimentos já em 2014”.

Escola Maria das Dores Juiz de Fora (Foto: Reprodução/TV Integração)
Escola Maria das Dores Juiz de Fora
(Foto: Reprodução/TV Integração)

Segundo a supervisora de Atenção à Educação na Diversidade da Secretaria Municipal de Educação de Juiz de Fora, Margareth Moreira, nas escolas municipais é oferecido, além do atendimento comum, também o especializado. “Nós temos quatro núcleos para atendimento especializado em Juiz de Fora. Além desses centros, o atendimento é oferecido também em 26 escolas da rede municipal”, comentou.

Ainda de acordo com ela, atualmente 200 turmas trabalham com dois professores na sala. “Esses profissionais cuidam de alunos com dificuldades de locomoção, higiene, alimentação e também autistas. Além disso, a Secretaria de Educação oferece cursos para capacitar os professores da rede municipal”, destacou.

www.g1.globo.com

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