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História da educação – Uma homenagem aos 161 anos de Juiz de Fora

CRESCIMENTO ECONÔMICO

O crescimento econômico de Juiz de Fora, baseado na cafeicultura, trouxe prestígio político, econômico e social permitindo que as elites, de origem agrária, diversificassem seus investimentos e implementassem um projeto industrial.

A industrialização de Juiz de Fora, num período compreendido entre o final do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX, caracteriza-se pelo predomínio de pequenas fábricas e oficinas de produção limitada, pelo uso de tecnologia elementar, com baixo índice de capital investido e pela absorção de pequena quantidade de mão-de-obra.

A elite econômica representada pelos industriais, cafeicultores e comerciantes investe em eletrificação, comunicação, transporte e no sistema bancário, procurando dotar a cidade de uma infraestrutura adequada ao desenvolvimento industrial.

O Granbery, criado em 1890, e a Academia de Comércio, fundada em 1894, são expressões representativas da ação das elites locais e do novo perfil da educação.

REFORMA EDUCACIONAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS

A necessidade de reverter o quadro de mazelas da educação era urgente e mais do que necessário. A Reforma Educacional do Estado de Minas Gerais, promovida no governo de Afonso Pena (1892-1894), teve o objetivo de melhorar a qualidade do ensino elementar e a formação dos professores com cursos de 4 anos de duração e 21 matérias. Assim, em 1894, foi criada a Escola Normal de Juiz de Fora, que passou a funcionar no prédio que serviu ao antigo mercado da cidade e, posteriormente, foi transferida para o Palacete Santa Mafalda.

ESTEVAM DE OLIVEIRA – JORNALISTA

E foi Estevam de Oliveira, lavrador, tropeiro na mocidade, major honorário do Exército, jornalista, republicano e abolicionista radical que acreditava numa maior participação política e na possibilidade de avanços para Juiz de Fora, Sua atuação em prol da educação não se faz somente enquanto inspetor técnico, mas também, como jornalista, através de suas opiniões sobre questões educacionais do Estado de Minas Gerais.

Resultado de suas visitas às instituições escolares dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, Estevam, em relatório datado de 1902, propôs uma racionalização da estrutura do ensino.

Sobre a criação dos Grupos Escolares afirma: é esta instituição que há de reerguer o nosso ensino primário do estado de miséria a que chegou.

A Reforma de Ensino em Minas Gerais, no governo de João Pinheiro, em 1906, recuperou propostas de Estevam consagrando ” a construção de espaços próprios para a educação escolar, a fim de reunir e de abrigar em um só prédio as escolas quee stavam isoladas, provocando, então, o aparecimento das Escolas Agrupadas e dos Grupos Escolares.”

PRIMEIRO GRUPO ESCOLAR

Em 04 de fevereiro de 1907, pelo Decreto nº 1886, ocorreu a instalação do Primeiro Grupo Escolar, sob a direção de José Rangel, cujo total de matrículas foi de 470 alunos. No mesmo ano, no dia 23 de março, foi inaugurado o Segundo Grupo Escolar, com 396 alunos, que ficava sob a administração do mesmo diretor, servente e porteiro do Primeiro Grupo Escolar. Ambos funcionavam no Palacete Santa Mafalda ofertado como presente ao imperador Pedro II. Ao recusar a oferta, o imperador sugeriu que o referido prédio fosse destinado a um abrigo de doentes ou a uma escola. No ano de 1915, o Primeiro Grupo Escolar recebeu a denominação de Grupo José Rangel e o Segundo Grupo Escolar de Grupo Delfim Moreira.

Em pouco tempo, o Palacete Santa Mafalda, prédio de estilo neoclássico que antes abrigara a Escola Normal, passou a ser denominado de Grupos Centrais, nome justificado por sua localização, em frente à Catedral Metropolitana, numa área central, que nos primeiros vinte anos do século XX formava um trecho urbano considerado nobre na principal avenida da cidade, rua Direita, hoje avenida Barão do Rio Branco.

SENTIMENTO DE ORGULHO

Juiz de Fora guarda um curioso sentimento de orgulho pelo pioneirismo por ter abrigado a instalação do primeiro grupo escolar do Estado de Minas Gerais. Algumas fontes nos dão pistas que podem confirmar esta postura vaidosa por estar à frente da capital, mesmo que seja por um dia de diferença.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO

O casarão, até hoje, embora tombado pelo Patrimônio Histórico de Juiz de Fora, abriga o grupo delfim Moreira.

ATA DE REUNIÃO

Na ata da “Reunião de Leitura” do Grupo Escolar José Rangel, em 1939, a professora Hermínia Zerlotini “lembra a necessidade e o valor cívico e patriótico de se cantar diariamente o Hino Nacional e a necessidade de ter sempre presente a Bandeira Nacional.

Em uma entrevista, em 2005, Geraldo Halfeld afirma: nós cantávamos todos os hinos. Era obrigatório saber os hinos para cantá-los no pátio na presença da professora.”

Dirigindo-se às professoras, a diretora Moema Nascimento, na ata da “reunião de Leitura” do grupo Escolar Delfim Moreira, em 1950, pediu que usassem de benevolência, no limite do possível, ao avaliarem os alunos mais pobres e que não fossem continuar os estudos. Justificou seu pedido dizendo que o Ministério do Trabalho só admitia em seus quadros operários que apresentassem o diploma de 4ª série.

RELATÓRIO DE EXCURSÕES

No livro “Relatório de Excursões” do grupo Escolar Joé Rangel, de 1948 a 1958, encontra-se expresso que para o desenvolvimento de bons hábitos nos alunos, as professoras tinham como objetivo de educação “recomendar o tom de voz que devemos conservar quando estamos na rua, cumprimentar as pessoas conhecidas e saber responder aos cumprimentos principalmente das autoridades; ter delicadeza com as pessoas idosas e com as que possuem defeitos físicos.”

ENSINO RELIGIOSO

Quanto ao ensino religioso, o senhor inspetor técnico solicitou ao professorado, esforços, nos entido de inculcar na alma do aluno a convicção que a prática dos preceitos religiosos não deve ser considerada ornamental ou secundária em nossa vida e, sim, parte integrante de nossa existência.

MONTEIRO LOBATO

Sobre leitura, informa a ata da “Reunião de Leitura” do Grupo Escolar Delfim Moreira, datada de 1950, que o inspetor Antônio Benedito vetou o uso de livros do escritor Monteiro Lobato nesta escola, por “deturparem a boa formação moral do educando”.

CAIXA ESCOLAR

Em benefício da Caixa Escolar organizavam-se leilões, quermesses, festas religiosas, missas e coroações que contribuíam para o enlaçamento social.

“A Caixa Escolar recebia dos riquíssimos fazendeiros locais doações das mais variadas prendas (inclusive de novilhos) para serem leiloadas ou rifadas. Os recursos advindos dessas atividades eram usados para suprir as carências materiais dos alunos das camadas populares.” Ilka Ladeira Halfeld

Usufruindo dos benefícios da Caixa Escolar, os alunos mais pobres recebiam uniformes, cadernos, livros e alimentação (sopa diária).

UNIFORME

A diretora Mercedes Macedo solicitou em uma de suas reuniões que cada professora procurasse mostrar aos seus alunos o senso da necessidade do uso do uniforme completo que muito contribuiria para a ordem do Grupo.

O uso do uniforme ainda hoje expressa organização.

AS PROFESSORAS

O diretor José Augusto Lopes lembrava sempre às professoras “sobre a necessidade de se viver na maior cordialidade e extrema amizade, para que este exemplo chegasse até os alunos rendendo melhores frutos.

ENCERRANDO

Sobre os deveres das professoras, José Augusto Lopes ao comentar um livro de João Toledo recomenda: que as professoras tenham sempre ânimo igual; não demonstrem aos alunos predileção acentuada por alguns e relativa má vontade para com outros; que conservem os alunos sempre ocupados; que criem um ambiente de simpatia e confiança no meio escolar.

Referência Bibliográfica: YASBECK, Lola. Sementes da inclusão. Editora UFJF.

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