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Escola de Juiz de Fora que atende alunos com deficiência pode fechar

Ontem, a jornalista Laila Hallack, que fez excelente reportagem sobre a preocupação das mães da E. E. Maria das Dores que temem que filhos tenham que ir para escolas regulares, conversou um pouquinho comigo. Segue o texto:

Mães de alunos da Escola Estadual Maria das Dores, que atende pessoas com deficiência em Juiz de Fora, temem o fechamento da instituição. A aplicação da resolução federal 23.372 faz com que muitos estudantes do local tenham que ser remanejados para escolas regulares. De acordo com a Diretora Educacional da Superintendência Regional de Ensino (SRE), Mônica Oliveira, as mães podem ficar tranquilas, pois cada caso será analisado já para o ano de 2014.

A escola Maria das Dores foi criada com o objetivo de atender exclusivamente alunos com necessidades de atendimento especializado. Como o ensino é destinado a este público, em alguns casos os estudantes permanecem em sala de aula por mais tempo. Porém, a orientação do Ministério da Educação (MEC) impede, entre outras coisas, que os estudantes do primeiro, segundo e terceiro ano do ensino fundamental repitam de ano. Além disso, determina que no quarto ano apenas um aluno por turma possa ser reprovado.

A aplicação desta lei implica na saída de parte dos 100 alunos. As mães temem que isso possa resultar no fechamento da escola nos próximos anos. Pela legislação, por exemplo, Lucas, de 22 anos, não poderá continuar na escola. Ele, que tem autismo e sequelas de uma paralisia cerebral, frequenta o local há dez anos. A mãe, Dulcinéia Oliveira, não sabe o que fazer. “A minha preocupação é que ele fique ocioso, sem ter o que fazer. Aqui é o mundinho dele. Se ele sair daqui, vai para onde?”, lamentou a mãe.

Ainda segundo as mães, elas também foram informadas de que os alunos que precisarem sair da escola serão remanejados para outras instituições da cidade. Isso despertou mais uma preocupação entre elas: Será que as escolas regulares estão preparadas para recebê-los? “Eles não terão o atendimento que precisam. Alguns necessitam de trocar a fralda, de que dê comida na boca. Nas escolas regulares não têm profissionais que vão atender a essas necessidades dos nossos filhos”, destacou a dona de casa Priscila Filgueiras.

Muitos deles já tiveram essa experiência. O estudante Giovane Domingos, por exemplo, não gosta de lembrar sobre o tempo que passou em uma escola regular. “Eu me sentia muito triste, deprimido. Eles colocavam apelidos. Tinha muito deboche. Era muita bagunça dentro de sala, a professora ficava estressada. O ambiente era muito pesado”, disse Giovane.

A norma gera discussões. Para a psicopedagoga Clara Duarte, ter que passar o estudante de série pode gerar problemas pedagógicos independente se ele tiver ou não uma deficiência. “Se o aluno não recebeu a base e não conseguiu desenvolver o mínimo de raciocínio, no ano posterior aquela base pode fazer falta. Alguns alunos conseguem, mas muitos têm dificuldades”, ressaltou.

No caso específico dos alunos da escola Maria das Dores, segundo a especialista, romper com o processo de socialização a que os estudantes já estavam submetidos no local é o maior impacto. “Existem dificuldades emocionais e físicas. Os alunos estão juntos, unidos. Quando são separados, a mãe perde a tranquilidade. Logo, o aluno percebe essa insegurança da mãe e sente mais dificuldade”, explicou Clara Duarte.

Enquanto não sabem o que vai acontecer, as mães mantêm a rotina e buscam os filhos na escola, na expectativa de que essa não seja a última vez. “Quantas crianças já saíram daqui ou de outros colégios e estão na rua? Elas ficam sem estudar, sem fazer nada”, questionou a dona de casa Geni Dias do Nascimento.

Segundo a diretora educacional da Superintendência Regional de Ensino em Juiz de Fora, Mônica Oliveira, “os alunos que têm condições de acompanhar as escolas regulares serão encaminhados no plano de atendimento. Já aqueles que não têm condições, serão colocados no plano de atendimento para que a secretaria faça uma análise e dê um retorno para os atendimentos já em 2014”.

Escola Maria das Dores Juiz de Fora (Foto: Reprodução/TV Integração)
Escola Maria das Dores Juiz de Fora
(Foto: Reprodução/TV Integração)

Segundo a supervisora de Atenção à Educação na Diversidade da Secretaria Municipal de Educação de Juiz de Fora, Margareth Moreira, nas escolas municipais é oferecido, além do atendimento comum, também o especializado. “Nós temos quatro núcleos para atendimento especializado em Juiz de Fora. Além desses centros, o atendimento é oferecido também em 26 escolas da rede municipal”, comentou.

Ainda de acordo com ela, atualmente 200 turmas trabalham com dois professores na sala. “Esses profissionais cuidam de alunos com dificuldades de locomoção, higiene, alimentação e também autistas. Além disso, a Secretaria de Educação oferece cursos para capacitar os professores da rede municipal”, destacou.

www.g1.globo.com

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Arthur e Annie superam limites!

Aluno com paralisia cerebral é finalista da Olimpíada Brasileira de Matemática e menina sem as mãos ganha concurso de caligrafia

Queridos, começamos a quarta-feira com 9 graus e um assunto muito bacana merece destaque: Arthur, com paralisia cerebral, representa Itanhaém na Olimpíada de Matemática em setembro, mostrando ao mundo o que é superação!!!!

Quantos de nós, por motivos tão simples, tão mínimos, nos deprimimos e nos queixamos de tudo e de todos? Olhem o Arthur, sua energia, sua força e sua garra. É ou não é um exemplo excelente para começar o dia?

Também temos um exemplo da linda Annie. A chinesa, que nasceu sem as mãos, adotada por uma família com mais quatro irmãos, ganhou o prêmio de uma editora.

Leiam um pouco sobre o assunto e deixem seus comentários. Beijos pra todos!

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arthurO estudante Arthur Gabriel dos Santos Dantas, de 11 anos, está próximo de realizar a última etapa da  9ª OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), marcada para setembro. O aluno de Itanhaém, cidade no litoral sul de São Paulo, se destaca não só por estar entre os finalistas, mas principalmente pelo exemplo de superação. Arthur tem paralisia cerebral e a deficiência afeta a coordenação motora do menino, que possui capacidade intelectual igual a de outras crianças da mesma idade.

Aluno da educação inclusiva na classe 6ªD do ensino fundamental na Escola Municipal Noêmia Salles Padovan, Arthur está entre os melhores da classe, motivo de orgulho para a mãe. “Se eu falo que estou muito orgulhosa é pouco. Foi um salto para ele ter passado na 2ª fase. Ele já é um campeão para mim. Não só na matemática, mas campeão da vida, de tudo. Ele é meu campeão”, diz Valéria dos Santos Silva, 46.

A família reconhece a responsabilidade do estudante. “Meu filho é muito inteligente. Sabemos que não é fácil, mas ele está aí para provar que nada é impossível, basta acreditar. O exemplo dele serve de incentivo aos demais alunos. Agradeço às professoras que o inscreveram na Olimpíada. Elas não olharam a deficiência do meu Arthur e sim a capacidade dele”, se emociona Valéria.

Arthur tem dificuldade para falar e, por isso, utiliza o computador portátil como extensão da sua voz. Recurso utilizado apenas às vezes pela mãe, que diz entender o que o filho quer com a pronúncia de algumas sílabas. “Sou a mãe, entendo meu filho, apesar dele só falar algumas palavras. Quando ele quer me contar como foi o dia na escola, usamos o notebook”.

Embora seja bom com os números, o itanhaense já sabe o que vai querer para o futuro. Os mistérios e curiosidades que envolvem os planetas, as galáxias, o sistema solar e a lua ganham notoriedade na vida do garoto. “Quando o assunto é astronomia, os olhos do meu filho brilham. Ele até balbucia algumas palavras”, conta a mãe.

Sem ajuda especial

Para executar as tarefas do dia a dia escolar, ele conta com o auxílio de um notebook (para expressar o que quer dizer) e da estagiária Marina Alves Carvalho Ferreira, responsável por acompanhar o desempenho do estudante durante as aulas. Mas todo o esforço — reforça a mãe — fica por conta dele. “A estagiária é como uma 2ª mãe para ele, sou muito grata a ela. A Marina na sala de aula funciona como um porta voz para o pequeno Arthur”, diz Valéria.

“Ele é exemplo para os demais estudantes. É inteligente, engajado e adora estudar e não gosta de faltar à escola. Inclusive, quando tem consulta marcada e precisa sair mais cedo da unidade, ele fica nervoso”, conta a estagiária.

A mãe explica que, apesar da deficiência, o aluno não sofre preconceito no ambiente escolar: “Todos o adoram e os amiguinhos e professores estão sempre ajudando. Ele é um menino especial, não pela deficiência, mas pela pessoa carinhosa que ele é. Está sempre sorrindo e feliz”.

O aluno está sempre na companhia de Wesley Rodrigues, 11, o amigo inseparável. “Quando ele tem dificuldade eu o ajudo, mas grande parte do dia ele não precisa. Ele é muito inteligente”. No intervalo das aulas, o passatempo predileto de Arthur é jogar damas e dominó. “Ele é bom com os números”. Mas adverte: “Eu também ganho as partidas”, brinca Wesley.

Fanático pelo Corinthians

As atividades diárias do Arthur não se resumem à escola. Neste mês de férias, além de repassar as matérias para a participação na Olimpíada de Matemática, o menino aproveita para brincar, torcer pelo time de coração e ver TV.

“Ele é fanático pelo Corinthians, adora futebol. Quando não está no computador conversando ou jogando no Facebook, ele está vendo desenho na televisão ou brincando. O Arthur aproveita as férias como os coleguinhas da classe”, diz a mãe.

Além das brincadeiras, o finalista ainda tem na agenda sessões de terapia ocupacional, fisioterapia e natação. E o que Arthur tem a dizer sobre a participação dele na Obmep? Letra por letra, ele vai formando a frase na tela do computador: “Gosto muito de estudar. Obrigado. Estou muito feliz”.

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annieUma menina de 7 anos que nasceu sem as mãos ganhou nesta quarta-feira (18) um prêmio de caligrafia nos Estados Unidos. Annie Clark, que estuda em uma escola da região de Pittsburgh, foi a primeira ganhadora da premiação Nicholas Maxim, concedida por uma editora.

Além de escrever, a garota também aprendeu a pintar, desenhar e colorir. Annie também nada, se veste, come e abre latas de refrigerante sozinha. A menina, que também consegue usar o iPod touch e computadores sem ajuda, quer escrever um livro sobre animais no futuro.

Annie foi adotada por Tom e Mary Ellen Clark e tem oito irmãos –cinco deles, adotivos. Ela, assim como os irmãos, são chineses. Quatro dos adotivos têm deficiências que afetam as mãos ou os braços. Outras duas irmãs de Annie, Alyssa, 18, e Abbey, 21, têm síndrome de Down.

“Nós não estávamos procurando adotar crianças com necessidades especiais, mas foi o que aconteceu”, disse Mary Ellen. “Essa foi a família que Deus quis que tivéssemos.”

Fonte:

Associated Press

http://www.uol.com.br

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