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Criança Mimada

 

Hoje vamos trabalhar um assunto delicado: o mimo. Para isso precisamos primeiro entender o amor. O amor de um pai e de uma mãe por um filho é imenso, descomunal, chega a não caber no peito e em nome deste amor, alguns pais podem cometer alguns deslizes. A partir do momento em que a criança nasce ela precisa que suas necessidades básicas sejam satisfeitas, como alimentação, proteção e carinho. O mimo começa quando os pais satisfazem mais do que a criança precisa. O mimo é o excesso de tudo: de cuidados, de paparico, de apego, mas mimo não é demonstração de amor.
Muitos pais não permitem que o filho aprenda com seus erros e tentando evitar que este filho sofra, resolvem tudo por eles. Resolvem a briga com o coleguinha da escola, fazem a lição de casa para o filho ao invés de ajudá-lo a fazer, resolvem tudo por ele, presenteiam demais sem ter um porquê, se algum brinquedo quebra, correm para comprar outro (o certo seria tentarem consertar o brinquedo juntamente com a criança, assim ela aprenderá a consertar suas atitudes quando for mais velha), enfim, coisas que não permitem que o filho cresça.
Este mimo transforma a criança em um adulto inseguro, que acha que tudo que fizer não será bom o suficiente, sem confiança em si mesmo, afinal, sempre fizeram tudo por ele, não é? Ele cresce sem acreditar que pode. Cresce sem força.
A criança naturalmente gosta de participar de tudo, gosta de ajudar e gosta de mostrar o que faz. Quantas vezes a mãe está lavando louça e a criança quer ajudar? Nestas horas deixe-a tentar. Não critique, pois ela estará fazendo dentro das limitações próprias da idade, e elogie muito a iniciativa dela de querer fazer e querer aprender algo novo.
A função principal dos pais é preparar o filho para o mundo, e no mundo provavelmente eles receberão muitos “nãos”. A criança mimada transforma-se em um adulto que não sabe receber um “não”. Ele se desestrutura e tentará de todas as formas manipular a situação para conseguir o que deseja. Isso acontece porque quando era criança todas as suas necessidades foram mais do que satisfeitas, então ela não aprendeu quando criança a capacidade de frustrar-se. Nós não temos tudo o que queremos, não é? Nem tudo o que desejamos, e geralmente damos conta disso, mas o mimado não consegue. E sofre muito quando não realiza algum desejo ou quando percebe que o mundo não gira somente ao seu redor (como era quando criança), trazendo inclusive sofrimento para os pais.
Muitos mimados recorrem às drogas como forma de fugir de um mundo tão cruel que não continuou o que os pais começaram: a suprir-lhe todos os desejos. E os pais inconformados com a ira do destino, não entendem como o filho pode ser assim, sendo que deram de tudo pra ele.
O mimo está intimamente ligado à dificuldade dos pais de colocarem limites nos filhos e no seu próprio apego. Amor não é apego. Amor é criar com o coração e com a cabeça junto, viu?
As crianças precisam vivenciar experiências de ganhos e perdas, brigas e fazer as pazes, dividir, compartilhar, e é assim que elas vão aprendendo a viver em sociedade, para que quando se tornarem adultos aprendam seus limites, os limites do outro e principalmente respeito.

 

Colaborou: Maria de Fátima Hiss Olivares – Psicóloga Clínica

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