Agenda das crianças lotadas? Reconheça o limite das obrigações na infância!

Eu e Letícia

Hoje, bem na horinha do meu almoço, conversei com a repórter Letícia Duarte sobre as rotinas estressantes que algumas crianças têm. Foi um bate papo rápido e bacana. Segue, abaixo, algumas considerações:

Segundas e quartas, natação e inglês. Terças e quintas, balé. Sábados, ginástica olímpica. Ufa! Cada vez mais, os pais estão ocupando seus filhos com atividades extracurriculares, que vão desde exercícios físicos até o aprendizado de idiomas.

Que as atividades fora da escola beneficiam as crianças, não há dúvidas. Mas qual é o limite?

Manter-se ocupado é importante, inclusive para os pequenos. Ter obrigações resulta em disciplina, ajuda as crianças a se socializar e a administrar o tempo. Mas o excesso de atividades não combina com o universo infantil. A prática pode resultar na perda de concentração e comprometer a saúde dos pequenos. Quanto mais atividades eles têm, maiores são as obrigações e a responsabilidade. Isso faz com que muitos acabem desenvolvendo distúrbios bastante comuns em adultos, como a depressão e o estresse.

Luiza Costa Silva, de nove anos, divide seu tempo entre a escola, as aulas de natação, de inglês, e agora também aulas de catequese às quartas-feiras. Apesar de ter uma agenda bastante ocupada, Luiza ainda consegue achar tempo para brincar. Isso porque, há alguns anos, sua mãe viu que o excesso de atividades estava prejudicando a filha.

— Houve momentos em que a Luiza apresentou dores de cabeça, de estômago e outras queixas. Aí vimos que ela estava sobrecarregada e decidimos controlar mais as atividades — explica a enfermeira Ângela Maria Costa Silva, 43 anos.

Preocupada com a saúde física e mental da filha, Ângela decidiu buscar um acompanhamento profissional para gerenciar a agenda de Luiza, e manter, assim, um equilíbrio entre as horas de estudo e as de lazer:

— Este ano, ela queria fazer natação, judô e mais uma atividade física. Eu tive de dizer não, e fazer ela escolher só um exercício. Assim podemos organizar melhor nosso dia, e sobra tempo para brincar.

Infelizmente, não são todos os pais que têm esse cuidado, explica a psiquiatra e psicanalista de crianças e adolescentes Marlene Silveira Araújo. Muitas crianças sofrem com o excesso de atividades porque os pais acreditam que isso os deixará mais preparados para o futuro, e pensam que é necessário despertar a competitividade desde cedo para garantir o sucesso profissional. Além disso, existe a dificuldade de não ter onde deixar os pequenos durante o dia. Para resolver o problema, os pais mantêm os filhos ocupados o máximo possível.

— Não podemos esquecer que, na correria do dia a dia, às vezes falta tempo para dar atenção aos filhos. Com as atividades, os pais tentam também aliviar uma certa culpa de sua ausência física e emocional — comenta a psicóloga Carla Melani.

Problemas de adultos

Sintomas como os citados no quadro acima, comuns na vida de adultos pelo estresse diário, não deveriam fazer parte da realidade das crianças, afirma a psiquiatra Marlene Silveira Araújo:

— Existe uma demanda na sociedade atual na qual as pessoas têm que estar preparadas para a competição, onde o melhor é que vai levar vantagem. Os pais querem criar os filhos para esse mundo e acabam se precipitando ao inseri-los na realidade adulta antes que eles tenham se desenvolvido, antes que estejam maduros.

Os pais devem ficar sempre atentos para os sinais de que algo não está bem. Quando forem identificados, é preciso conversar com os filhos para tentar entender o que está causando o mal-estar. é preciso, em primeiro lugar, prestar atenção nos pequenos: deve-se “decifrar” os sintomas com as mensagens que a criança envia. Depois de conversar e levantar os motivos que foram apontados, deve-se ponderar e tentar modificar a situação.

Se mesmo depois do diálogo o problema persistir, é importante procurar a ajuda de especialistas para identificar o que está acontecendo com a criança.

 

Não dá para fazer tudo

Balancear os desejos da criança com o que é recomendado pode ser um desafio. Na infância, a vontade de conhecer e experimentar tudo é saudável e comum, mas é aí que a experiência dos adultos pode ajudar. Os pais devem conversar com os filhos e ensiná-los que nem tudo é possível, que existem limites e eles devem ser respeitados. Uma forma de mostrar isso é fazer os pequenos escolherem entre as diversas opções disponíveis.

Como é um momento de descoberta, os pais devem também estar preparados para mudanças. As crianças estão conhecendo os diferentes esportes, instrumentos musicais e demais habilidades. Só que, muitas vezes, podem não se adaptar a eles. — Nunca se deve forçar a prática de algo que a criança não gosta ou com a qual não se adapta. Somente experimentando ela poderá desenvolver interesse por áreas distintas.

Os pais devem sempre ter em conta que as atividades extras são importantes, mas não devem ser colocadas como obrigações. As crianças precisam ter afinidades e gostar do que estão fazendo. — É preciso que os pais saibam que, se as crianças não forem sadias, não serão adultos capazes de competir por coisa alguma, podem se tornar adultos frustrados e inseguros.

natação

Saiba a hora de desacelerar Para evitar que seu filho sofra com o excesso de atividades, é preciso ficar atento a alguns sintomas comuns que mostram que a coisa não está bem:

– Recusa em ir à aula – Distúrbios no sono (dificuldade para dormir ou para acordar) – Mudança no humor – Perda ou excesso de apetite – Baixo rendimento escolar – Dores de cabeça constantes – Irritabilidade, tristeza e agressividade em excesso

Desenvolvimento para cada perfil

Muitas atividades ajudam no desenvolvimento de habilidades e características pessoais e outras serão cobradas quando as crianças crescerem, como o inglês. Mas lotar a agenda dos pequenos pode sobrecarregá-los e causar aversão pelas aulas. Além disso, é importante estar atento ao perfil da criança para saber qual a melhor atividade para ela.

Os cursos oferecidos se en­­quadram em três categorias prin­­cipais: corporais, intelectuais e artísticas. O ideal é que a criança pratique pelo menos uma atividade de cada esfera. Isso ajuda no desenvolvimento global como ser humano. Dentro de cada grupo existem opções para os mais variados gostos e perfis de crianças e elas podem mudar de acordo com a idade.

Atenção:

  • Não sobrecarregue a criança. Mesmo que ela demonstre vontade de fazer tudo, o tempo livre é fundamental na infância.
  • Começou? Termine. Antes de esco­lher a atividade, deve-se levar em conta todos os prós e contras, mas, uma vez que a matrícula foi feita, é preciso levar o semestre até o fim. Começar e terminar várias ve­zes fa­­vorece o surgimento de uma sensa­ção de irresponsabilidade. A criança passa a achar que não preci­sa se com­prometer com nada.

aula de musica
Vontade do filho deve prevalecer

Na hora de escolher uma atividade para o filho, que critérios levar em conta? A vontade da criança é o principal! Quando os filhos são bebês e não podem dizer o que pensam, cabe aos pais perceber se a atividade é um momento de prazer. Depois, o diálogo é fundamental para saber se a criança realmente gosta do que está fazendo.

Quando os pais obrigam os filhos a irem para determinada aula contra a vontade, a atividade se torna um momento de transtorno para toda a família. A criança não se dedica, faz de tudo para faltar e acaba tendo um mal desempenho. Os pais se frustram e todos saem perdendo.

Para evitar que isso ocorra, é preciso ter paciência e dedicação até encontrar a opção correta. Na escolha de uma atividade corporal é preciso levar em conta se a criança é competitiva, se prefere atividades individuais ou em grupo, se é agitada ou tranquila. No campo artístico, vale o mesmo. Se a criança não tem aptidão para tocar um determinado instrumento, a música pode ser trabalhada de outras maneiras, através de atividades de ouvido ou mais lúdicas.

Insistência

Algumas aulas, no entanto, tornaram-se praticamente uma obrigação social. Fazer inglês é indispensável para garantir uma boa colocação no mercado de tra­­balho futuramente. Nesse ca­­so, quando a criança não gosta, vale insistir na atividade, po­­rém é preciso buscar outros mé­­todos. Se a criança ainda tem dificuldades com a leitura e a es­­crita do português, uma escola de inglês que cobre essas habilidades se torna um fardo. É me­­lhor investir em uma instituição que ensine a língua de forma mais oral.

De acordo com os especialistas, matricular a criança em di­­versas aulas pensando apenas em benefícios a longo prazo é um erro. Vale a pena investir nas habilidades que o filho demonstra mais facilidade e também nas que precisa desenvolver.

As atividades corporais e artísticas podem começar bem cedo, a partir dos 6 meses de idade. Existem escolas de natação, por exemplo, que possui sete piscinas, uma para cada fase de aprendizado. Bebês de 6 meses a um ano e meio entram na água com os pais para aulas de meia hora de duração. Eles ainda não nadam, mas há um trabalho de sociabilização, estímulo motor, vivência aquática e segurança. Conforme os alunos crescem, as piscinas e aulas mu­­dam, podendo chegar ao nível de nadador competitivo.

Sensibilidade

Para encontrar a melhor medida para as atividades, a família deve ser observadora. Com muito carinho e cuidado é possível perceber se a criança está feliz e tranquila ou cansada e mal humorada. Essas observações vão estreitar ainda mais os laços amorosos, aproximarão todos e levarão as decisões importantes sobre que atitudes tomar. É cuidar e acertar!

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