Arquivo do mês: setembro 2013

Desarmamento Infantil

Hoje, conversei ao vivo com Marcelo Juliani, da Rádio Solar (AM-1010) , sobre o desarmamento infantil. O papo foi rápido mas interessante. Seguem algumas das minhas considerações:

armas

Foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal, na edição da última segunda-feira, 23 de setembro, a lei que proíbe a fabricação, venda, comercialização e distribuição de armas de brinquedo e réplicas de armas de fogo em todo o Distrito Federal (a lei não inclui as armas de pressão).

As réplicas de armas de fogo amedrontam as pessoas do mesmo modo que as armas de verdade. Segundo o coronel Luis Eduardo Goulart (chefe da comunicação social da PM do DF) arma não é brinquedo. Na hora do crime, a vítima fica sem condições de distinguir a arma de brinquedo de uma de fogo.”

Casos de assaltos com armas de brinquedo, infelizmente, são sempre registrados pelo Brasil mas tirar estas réplicas de circulação não é o suficiente para diminuir a violência. O governo precisa ter campanhas para as famílias. As escolas devem trabalhar a não violência. Tudo deve ser levado em consideração. Assim, aos poucos, começaremos a criar uma sociedade menos violenta.

É muito importante compreender que as coisas inseridas na rotina da criança vira um objeto familiar. Se elas têm acesso a armas e jogos violentos, esses elementos serão familiares para a criança. Quando ela crescer, haverá maior facilidade de incluir estes elementos em seu cotidiano.

Para finalizar, entendemos que não será toda criança com acesso aos jogos violentos e armas que farão uso dessa brutalidade no futuro. Dependemos de muitos fatores para se confirmar a prática violenta.

Fica, para cada um, a reflexão sobre como devemos nortear os conceitos e presentes que oferecemos aos pequenos e adolescentes.

criança armada

solar am

Deixe um comentário

Arquivado em Desarmamento, Infância

Encontro de Gestores 2013

pop_sistema_gpi

Ontem, conforme publicado no jornal O Globo, aconteceu no Hotel Windsor Atlântica, em Copacabana, o “Encontro de Gestores do Sistema de Ensino GPI” (no qual sou autora). Foi um sábado proveitoso!

Hotel Windsor Atlântica

windsor atlantica

 Na parte da manhã, Gustavo Ioschpe (Economista formado pela Yale University), ganhador do Prêmio Jabuti com o livro ”A ignorância custa um mundo”, ainda que polêmico, apresentou muitos dados de pesquisas que fizeram coordenadores, diretores e gestores questionarem práticas nas escolas.

Ioschpe

DSC05380

Após a fala do Ioschpe, tivemos uma mesa de debates formada por alguns diretores de instituições de ensino que já utilizam o material, incluindo minha amiga Marcia Gioff, diretora pedagógica no Recreio.

Apresentação de Marcia Gioff

DSC05389

Depois do almoço, Dalmir Sant’Ana conseguiu nos motivar maravilhosamente. Autor dos livros “Oportunidades” e “Menos pode ser mais”, Dalmir é excelente palestrante. Ele trouxe reflexões muito interessantes de forma bem humorada, deixando todos atentos, mesmo depois de almoçarmos deliciosos medalhões com molho rokfort e batatas fritas, além do ótimo brownie com sorvete de creme no restaurante La Fabrique.

La Fabrique

lafabrique

Dalmir

DSC05393

O evento terminou sem que percebêssemos a hora passando. O cenário que víamos das janelas do hotel, lindíssimo, não foi desanimador visto o potencial do dia que nos foi preparado.

Vista do hotel

DSC05384

Marcio Cohen, César Menezes, Laélia Gomes e toda equipe estão, definitivamente, de parabéns!

Eu e Marcia

DSC05398@

Eu e Dalmir

DSC05395@

Marcio Cohen

DSC05387

César Menezes

DSC05385

Deixe um comentário

Arquivado em Geral

Ensaio fotográfico mostra antes e depois de pessoas que sofreram bullying na escola

“Mas o que é que viu ele refletido embaixo? Observou-se bem — já não era uma desajeitada ave feia e cinzenta. Era igual às orgulhosas aves brancas ali ao pé: era um cisne! Sentiu-se feliz por ter sofrido tantas dificuldades, porque agora dava valor à sua boa sorte e ao lar que finalmente tinha encontrado. “Os majestosos cisnes nadaram à sua volta e acariciaram-no com admiração com os bicos”. (Trecho da fábula “O Patinho Feio”)

A princípio planejei iniciar este texto com a célebre teoria de Heráclito sintetizada pela máxima “só a mudança é eterna”, ou com uma adaptação da mesma teoria presente na canção de Lulu Santos (“nada do que foi será”). No entanto, achei que a citação do conto infantil fosse mais apropriada aos casos apresentados no projeto Awkward Years Project (“Projeto Anos Difíceis”).

Idealizado pela designer gráfica americana Marilee, o projeto consiste em um ensaio fotográfico que apresenta pessoas que, no passado, sofreram algum tipo de bullying por sua aparência e hoje, já tendo superado tudo isso, posam para as câmeras mostrando fotos e se lembrando desse triste período de suas vidas.

A ideia surgiu quando uma amiga se recusou a acreditar que Marilee – hoje uma linda mulher – havia sofrido durante a juventude devido à sua aparência.

Na descrição, a autora comenta:

“Quero apresentar um grupo de pessoas que compartilham seus anos mais difíceis e mostrar o quão incríveis essas pessoas se tornaram. Este projeto é para todos vocês que estão lutando lá fora e para aqueles que amam observar o ‘antes e depois’ por meio de retratos.”

Veja algumas das fotografias abaixo:

bullying foto 01

 

bullying foto 02

 

bullying foto 03

bullying 04

 

bullying foto 05

 

bullying foto 06

 

bulying foto 07

 

É claro que não podemos ser hipócritas e dizer que estas pessoas “venceram o bullying” apenas por terem crescido, mudado e, assim como o Patinho Feio, terem se tornado “belas pessoas”. De certo modo, acreditar que isso apenas reforçaria o padrão de beleza imposto pela sociedade.

Entretanto, este ensaio fotográfico vai além. Na Introdução do projeto, a autora conta um pouco sobre o que passou:

“(…) infelizmente eu sofria bullying. Se não fosse por eu ser tão magricela, sofria pelos meus 4 olhos (óculos) ou minhas roupas fora de moda”

A idealizadora do ensaio ainda afirma que, quando criança, voltou para casa chorando várias vezes.

Através dessas fotos, Marilee nos mostra como o bullying deixa cicatrizes que podem incomodar mesmo após a superação desse trauma.

“Eu sei que a foto foi tirada há 20 anos, mas o passado ainda me afeta. É como a mentalidade das pessoas com excesso de peso que emagreceram, mas ainda se vêem com gordura. É assim que me sinto. Eu posso parecer normal agora, mas eu ainda me vejo como uma nerd estranha.”

Deste modo, o Awkward Years Project pode ser visto como um incentivo de superação aos que ainda sofrem com qualquer tipo de bullying, e pode mostrar que qualquer indivíduo sempre possui outras qualidades e talentos e que isso não depende do fato de ele ser um reflexo do que a sociedade espera dele.

Por fim, peço permissão pra encerrar este post com um videoclipe da banda de Punk Rock/Hardcore Rise Against. Na música “Make it Stop” (“Faça isso Parar”), a banda fala sobre o bullying focando, sobretudo, o preconceito em relação à homossexualidade. Contudo, acredito que a música também possa se relacionar com o tema deste texto – principalmente nos últimos segundos, quando vemos pessoas que “superaram” o preconceito afirmando: “It gets better” (“Fica Melhor”, em tradução livre).

Diego Santos: Fashionatto

1 comentário

Arquivado em Bullying

Escola de Juiz de Fora que atende alunos com deficiência pode fechar

Ontem, a jornalista Laila Hallack, que fez excelente reportagem sobre a preocupação das mães da E. E. Maria das Dores que temem que filhos tenham que ir para escolas regulares, conversou um pouquinho comigo. Segue o texto:

Mães de alunos da Escola Estadual Maria das Dores, que atende pessoas com deficiência em Juiz de Fora, temem o fechamento da instituição. A aplicação da resolução federal 23.372 faz com que muitos estudantes do local tenham que ser remanejados para escolas regulares. De acordo com a Diretora Educacional da Superintendência Regional de Ensino (SRE), Mônica Oliveira, as mães podem ficar tranquilas, pois cada caso será analisado já para o ano de 2014.

A escola Maria das Dores foi criada com o objetivo de atender exclusivamente alunos com necessidades de atendimento especializado. Como o ensino é destinado a este público, em alguns casos os estudantes permanecem em sala de aula por mais tempo. Porém, a orientação do Ministério da Educação (MEC) impede, entre outras coisas, que os estudantes do primeiro, segundo e terceiro ano do ensino fundamental repitam de ano. Além disso, determina que no quarto ano apenas um aluno por turma possa ser reprovado.

A aplicação desta lei implica na saída de parte dos 100 alunos. As mães temem que isso possa resultar no fechamento da escola nos próximos anos. Pela legislação, por exemplo, Lucas, de 22 anos, não poderá continuar na escola. Ele, que tem autismo e sequelas de uma paralisia cerebral, frequenta o local há dez anos. A mãe, Dulcinéia Oliveira, não sabe o que fazer. “A minha preocupação é que ele fique ocioso, sem ter o que fazer. Aqui é o mundinho dele. Se ele sair daqui, vai para onde?”, lamentou a mãe.

Ainda segundo as mães, elas também foram informadas de que os alunos que precisarem sair da escola serão remanejados para outras instituições da cidade. Isso despertou mais uma preocupação entre elas: Será que as escolas regulares estão preparadas para recebê-los? “Eles não terão o atendimento que precisam. Alguns necessitam de trocar a fralda, de que dê comida na boca. Nas escolas regulares não têm profissionais que vão atender a essas necessidades dos nossos filhos”, destacou a dona de casa Priscila Filgueiras.

Muitos deles já tiveram essa experiência. O estudante Giovane Domingos, por exemplo, não gosta de lembrar sobre o tempo que passou em uma escola regular. “Eu me sentia muito triste, deprimido. Eles colocavam apelidos. Tinha muito deboche. Era muita bagunça dentro de sala, a professora ficava estressada. O ambiente era muito pesado”, disse Giovane.

A norma gera discussões. Para a psicopedagoga Clara Duarte, ter que passar o estudante de série pode gerar problemas pedagógicos independente se ele tiver ou não uma deficiência. “Se o aluno não recebeu a base e não conseguiu desenvolver o mínimo de raciocínio, no ano posterior aquela base pode fazer falta. Alguns alunos conseguem, mas muitos têm dificuldades”, ressaltou.

No caso específico dos alunos da escola Maria das Dores, segundo a especialista, romper com o processo de socialização a que os estudantes já estavam submetidos no local é o maior impacto. “Existem dificuldades emocionais e físicas. Os alunos estão juntos, unidos. Quando são separados, a mãe perde a tranquilidade. Logo, o aluno percebe essa insegurança da mãe e sente mais dificuldade”, explicou Clara Duarte.

Enquanto não sabem o que vai acontecer, as mães mantêm a rotina e buscam os filhos na escola, na expectativa de que essa não seja a última vez. “Quantas crianças já saíram daqui ou de outros colégios e estão na rua? Elas ficam sem estudar, sem fazer nada”, questionou a dona de casa Geni Dias do Nascimento.

Segundo a diretora educacional da Superintendência Regional de Ensino em Juiz de Fora, Mônica Oliveira, “os alunos que têm condições de acompanhar as escolas regulares serão encaminhados no plano de atendimento. Já aqueles que não têm condições, serão colocados no plano de atendimento para que a secretaria faça uma análise e dê um retorno para os atendimentos já em 2014”.

Escola Maria das Dores Juiz de Fora (Foto: Reprodução/TV Integração)
Escola Maria das Dores Juiz de Fora
(Foto: Reprodução/TV Integração)

Segundo a supervisora de Atenção à Educação na Diversidade da Secretaria Municipal de Educação de Juiz de Fora, Margareth Moreira, nas escolas municipais é oferecido, além do atendimento comum, também o especializado. “Nós temos quatro núcleos para atendimento especializado em Juiz de Fora. Além desses centros, o atendimento é oferecido também em 26 escolas da rede municipal”, comentou.

Ainda de acordo com ela, atualmente 200 turmas trabalham com dois professores na sala. “Esses profissionais cuidam de alunos com dificuldades de locomoção, higiene, alimentação e também autistas. Além disso, a Secretaria de Educação oferece cursos para capacitar os professores da rede municipal”, destacou.

www.g1.globo.com

Deixe um comentário

Arquivado em Educação Inclusiva

Facebook e o sistema de recompensas

Esta semana, o jornal Super Notícias publicou uma matéria muito interessante sobre um estudo revelador das interações na rede social que provocam maior atividade do cérebro em estrutura ligada ao prazer.

facebook

A intensidade do uso do Facebook pode ser prevista pela atividade na área de recompensa do cérebro, de acordo com um novo estudo publicado na revista “Frontiers in Humam Neuroscience”.
No primeiro estudo a relacionar a atividade cerebral ao uso das mídias sociais, os pesquisadores observaram, em 31 participantes, a atividade nos circuitos de recompensa do cérebro, o núcleo “accumbens” – uma pequena estrutura localizada no centro do cérebro, relacionada à sensação de prazer, incluindo comida, dinheiro, sexo e ganhos de reputação.
“Como seres humanos, nos preocupamos com nossa reputação. No mundo de hoje, um caminho para lidar com isso é através das mídias sociais”, diz dar Meshi, autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado na Universidade Freie, em Berlim, na Alemanha.
O Facebook é a maior mídia social do mundo, com 1,2 bilhão de usuários mensais, e foi usado no estudo porque as interações no site são realizadas com base nos amigos do usuário, que, em última análise, podem afetar sua reputação “curtindo” ou não as informações postadas.
Todos os participantes completaram a Escala de Intensidade Facebook para determinar quantos amigos cada participante tinha, quantos minutos cada um passou no Facebook e outros pensamentos gerais.
Os voluntários participaram de uma entrevista em vídeo e, em seguida, foram informados do que as pessoas achavam deles e de outro participante. Eles também realizaram uma tarefa com cartão para ganhar dinheiro. Pesquisadores registraram a neuroimagem funcional (fMRI) durante esses procedimentos.
Os resultados mostraram que os participantes que receberam feedback positivo sobre si produziram ativação mais forte do núcleo “accumbens” do que quando lhes foi mostrado o feedback positivo que outra pessoa recebeu. A força dessa diferença correspondeu à intensidade de uso do Facebook de cada um dos participantes.
“Nosso estudo revela que o tratamento dos ganhos sociais em reputação no número “accumbens” esquerdo prevê a intensidade do uso de Facebook entre os indivíduos”, encerra Meshi.

Deixe um comentário

Arquivado em Cérebro, Informática

AJUDA CONTRA PRECONCEITO

Hospital estadual oferece ‘remédio’ contra sobrepeso e bullying para crianças obesas

BULLYING MENINO

Li esta semana no jornal Extra uma matéria de Camila Muniz muito bacana. Ela escreveu sobre o sobrepeso em crianças e adolescentes e mostrava como esse problema propicia a injusta presença do bullying.

Você sabia que três em cada dez crianças brasileiras em idade escolar sofrem de obesidade? Mais do que um problema para a saúde do corpo, a doença causa transtornos psicológicos, relacionados sobretudo ao bullying. Centro de referência para tratamento de jovens obesos, o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglion (IEDE) trabalha não só a perda de peso nos pacientes, mas também oferece um “remédio” contra a discriminação.
No Ambulatório de Obesidade Infanto-Juvenil do hospital, crianças e adolescentes que enfrentam apelidos preconceituosos na escola ou até mesmo dentro de casa recebem atendimento de assistentes sociais e psicólogos.
– Por causa do bullying, a criança obesa entra em depressão, fica ansiosa e como amis – diz a endocrinologista Carmen Assumpção, coordenadora do ambulatório.
Há quatro anos, a auxiliar de creche Patrícia de Moares, de 38 anos, cuida da filha Larissa, de 9, no IEDE. Devido ao sobrepeso, a menina teve um problema metabólico, que afetou a produção hormonal.
– Ela era excluída pelos colegas da escola e recebeu auxílio psicológico por seis meses – conta Patrícia.
Apenas com controle da deita e exercícios, Larissa conseguiu emagrecer e agora se desenvolve perfeitamente.
O IEDE oferece tratamento multidisciplinar, envolvendo ainda médicos, enfermeiros e professores de educação física. Segundo Carmen Assumpção, a proposta é fazer com que pacientes e suas famílias modifiquem hábitos e adotem uma vida mais saudável. Mudanças na alimentação e o incentivo à prática de atividades físicas estão no foco do trabalho.

BULLYINH INFORMAÇÕES

 

 

 

IEDE: Rua Moncorvo Filho, nº 90 – Centro / Rio de Janeiro Telefone (21) 2332 7153
Para ser atendido no IEDE, é necessário encaminhamento. Ou seja, antes, a criança deve passar por consulta em Posto de Saúde ou Clínica da Família. Se for preciso tratamento especializado, ela é inscrita no Sistema Nacional de Regulação (Sisreg) para obter vaga no IEDE.

bullying evitar

 

 

 

01) Tente não oferecer às crianças alimentos industrializados, com excesso de sódio, gorduras e poucos nutrientes saudáveis.
02) Estimule a prática de atividades físicas.
03) pais precisam dar exemplo também na alimentação. Filhos de pais que comem alimentos saudáveis imitam os adultos e se alimentam melhor.
04) No fim de semana, troque a Praça de Alimentação do Shopping por um piquenique no parque.
05) Incentive as crianças a conhecer e provar alimentos saudáveis: faça-as sentir o cheiro e a textura deles.
06) Crie o hábito de fazer as refeições à mesa, com a família reunida e longe da televisão.
07) Resgate as brincadeiras ao ar livre.

BULLYING RISCOS

 

 

 

– Bullying
– Diabetes
– Hipertensão Arterial
– Doença Cardiovascular

Deixe um comentário

Arquivado em Bullying, Geral, Obesidade

CYBERBULLYING: Violência Virtual

Olá! Hoje, foi publicado no jornal Tribuna de Minas um artigo que preparei sobre Cyberbullying. Segue na íntegra:

“Compara-se muitas vezes a crueldade do homem à das feras, mas isso é injuriar estas últimas.” Dostoievski, sem imaginar que um dia precisaríamos lutar contra a crueldade e covardia do cyberbullying, evolução aprimorada do original bullying, já antecipava que, no futuro, provocaríamos no mundo real a discussão sobre o comportamento daqueles que se envolvem nas violentas situações escondidas nas telas do computador e outros aparelhos eletrônicos, retirando de nossas casas o título de “lugar seguro”.
Cyberbullying, ação que pode ser particularmente traumatizante, é o ataque de uma pessoa a outra com o uso das tecnologias interativas. Essa violência, que inclui ameaças de morte, envio de vírus, invasão a contas de e-mail, trata-se de um constrangimento intencional. Campanhas e pesquisas defendem que pais, responsáveis e educadores devem dialogar com crianças e adolescentes sobre o uso responsável da tecnologia e o modo correto de utilizar a internet, apresentando os perigos dessa forma de agressão. Trata-se de deixar vítimas cientes de que é preciso falar sobre o problema e agressores conscientes de que consequências existem.
Anos atrás, na época em que as redes sociais não existiam, quando alguém sofria alguma humilhação, poucos ficavam sabendo, e, tempo depois, ninguém mais comentava sobre o assunto. A ação, ainda que ficasse na memória do agredido, era mais fácil de ser tratada, pois a abrangência social era menor. Nos dias atuais, a digitalização da vida cotidiana é o espaço preferido por agressores, visto que promove exposição da vida íntima e privada, facilitando por vezes a violação dos direitos humanos.
Não estamos aqui culpando ou condenando estes espaços, apenas pontuando o cuidado que devemos ter com o que publicamos na rede. Instrumento importante para o desenvolvimento da humanidade, a internet, assim como o avião (por exemplo), pode ser utilizada tanto para o bem como para o mal. As intimidações vexatórias por meio eletrônico são uma evolução das antigas pichações em muros, feitas na calada da noite, com o desejo de causar dor nas vítimas e garantir impunidade aos praticantes.
Com a intimidade invadida na mídia e recebendo constrangimento físico ou psicológico, intencional e reiterado, as difamações podem se espalhar pela rede, em um processo irreversível, em que o espaço do medo fica ilimitado, segundo Maria Tereza Maldonado, psicoterapeuta que discute as implicações destes abusos. Finalizando, ainda pouco comentado, muito se pode fazer nesta batalha cibernética. É muito importante que o agredido não responda, não repita e não entre no jogo do agressor. Que peça ajuda e que salve as evidências, para que, caso seja necessário, autoridades possam resolver a situação de forma adequada e, como indispensável, que não se tenha medo!

Deixe um comentário

Arquivado em Bullying