I – Natal!

O Natal está chegando! Junto com ele, as questões sobre a crença no Papai Noel.

Leia, agora, sobre as principais dúvidas desta época do ano.

Por que a fantasia é importante para o desenvolvimento intelectual?

Estimular a crença no Papai Noel tem uma função valiosa, que é a de aumentar a criatividade das crianças. Ao delinearem internamente cada personagem, definindo suas características, os pequenos são expostos a experiências originais de imaginação. “Sem essas experiências, o pensamento ficaria muito restrito”, define Carolina Scheuer, psicóloga especialista em psicanálise da criança. “A imaginação é um recurso que nos transporta para todos os tempos, todos os lugares. Ajuda, inclusive, no desenvolvimento da linguagem”, acrescenta a psicoterapeuta e contadora de histórias Alessandra Giordano.

Existe idade certa para desfazer a fantasia?

A crença no Papai Noel costuma coincidir com uma fase do desenvolvimento infantil em que o pensamento da criança é bastante centrado na fantasia. Esse período vai dos 6 meses aos 7 anos, aproximadamente, mas fica mais intenso a partir dos 2 anos, quando a linguagem começa a se desenvolver. Vale lembrar, no entanto, que essa é uma questão muito individual. “As crianças começam a desconfiar de que Papai Noel não existe por volta dos 7 anos, quando tem início uma estruturação mental que já trabalha com o concreto. Mas isso varia de uma criança para outra. Não existe uma hora certa para deixar de crer no bom velhinho. Elas acreditam até a idade em que precisam acreditar”, explica a psicóloga Rosana Zanella.

A descoberta da verdade deve acontecer espontaneamente, ou seja, os pais não precisam se encarregar dessa tarefa. “As famílias não têm de desmascarar a fantasia dos pequenos. Por que impedir a criança de vivenciar essa magia mais um pouco? É preciso respeitar o tempo de cada criança”, defende a psicoterapeuta e contadora de histórias Alessandra Giordano. Ela afirma que a criança só vai sair magoada e frustrada se a ruptura for abrupta, destrutiva. “Do contrário, o que tende a ficar é uma gostosa recordação.” O fato é que a criança não descobre a verdade de uma hora para outra. Ela começa a desconfiar aos poucos, observando as manobras da família (por exemplo, tirando-a da sala para o Papai Noel poder deixar os presentes), ouvindo cochichos, percebendo olhares. São evidências, mas ela só vai reuni-las – e tirar alguma conclusão lógica – quando tiver maturidade para isso. Apesar dos muitos perfis, se a crença no Papai Noel persistir depois dos 10 anos, o que é mais incomum, os pais podem procurar refletir se está faltando alguma outra fonte de fantasia para a criança. Esse pode ser um raciocínio também no caso de o pequeno se frustrar demais com a descoberta.

E se a criança perguntar se o Papai Noel existe?

Em algum momento do desenvolvimento da criança, ela aparecerá com essa pergunta: “Mãe, é verdade que Papai Noel não existe?”. Especialistas recomendam que os pais não confirmem nem neguem totalmente. “Uma boa resposta nessa hora, lembrando que pode ser apenas desconfiança da criança e que ela não esteja preparada para romper de vez com essa fantasia, é dizer que “ele existe para quem acredita nele”, aconselha Paula Furtado, psicopedagoga e escritora, de São Paulo. Outro caminho é devolver a pergunta para a criança, ajudando-a a estruturar seu pensamento: “O que você acha filho? Como você imagina que seja?”. A psicoterapeuta e contadora de histórias Alessandra Giordano, que é autora do livro “Contar histórias, um recurso arteterapêutico de transformação e cura” (Editora Artes Médicas) pontua: “A criança precisa ser ouvida também. Assim, evita-se um choque de realidade”.

Como lidar com o irmão mais velho?

Os pais podem não contar, mas e o sabichão da casa, o irmão mais velho? Para a psicoterapeuta e contadora de histórias Alessandra Giordano, essa questão pode ser resolvida de um jeito simples ao criar uma cumplicidade com o primogênito. “Pode-se sentar com ele e explicar que o irmão mais novo ainda é pequeno e que é preciso tratá-lo com carinho e lhe contar histórias, inclusive do Papai Noel. A criança certamente se sentirá importante com esse pedido.” Ela explica que, se o filho mais velho tiver crescido num ambiente em que a contação de histórias é valorizada, ela saberá respeitar a fantasia do irmão mais facilmente.

Como escrever a carta para o Papai Noel?

A carta para Papai Noel por si só já faria a fantasia no bom velhinho valer a pena. Os pais devem providenciar tanto o envio (que é feito na companhia das crianças), quanto a resposta, que costuma ser recebida com a maior euforia pela garotada. “Não dá nem para mensurar o efeito da chegada da carta na autoestima da criança. É realmente mágico”, comenta a psicóloga Rosana Zanella. A psicopedagoga Paula Furtado aponta um ganho pedagógico muito grande no ato de escrever a carta, que é mostrar à criança a função social da escrita e da leitura. “Elas escrevem e leem por intermédio dos pais e isso ajuda muito no desenvolvimento da linguagem”, comenta.

Por isso, o melhor a fazer é não economizar nem tempo nem esforço nessa tarefa. Entregue vários materiais escolares aos pequenos e peça que façam um desenho para o Papai Noel, que escrevam seus nomes (se já souberem escrever) e que relembrem tudo o que fizeram de bom durante o ano. “Se houve algum mau comportamento também é válido recordar, para se trabalhar valores”, complementa Paula.

Uma saia-justa que pode aparecer nesse momento é a criança pedir ao Papai Noel um presente muito caro, que os pais não poderiam comprar depois. Mas é contornável: oriente a criança a dar mais de uma opção ao Papai Noel ou, ainda, aconselhe-a a pedir algo mais acessível, pois afinal de contas ele terá muitas crianças para presentear. Depois da carta, vem a espera, e com esta as crianças de hoje não estão habituadas a lidar. “Elas andam muito imediatistas, mas com o Papai Noel não funciona. Elas têm de esperar pela chegada da carta e depois do presente. Desenvolver esse trabalho pode ser muito benéfico para os filhos”, avisa Paula.

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