Dúvidas da Língua Portuguesa

Na última terça-feira, recebemos em nosso programa de rádio, o Prof. Wesley Pontes. Ele é professor de Português e deu uma bela entrevista sobre o uso de algumas palavras. Vejam tópicos sobre nosso bate papo:

USOS DO PORQUÊ

Há quatro maneiras de se escrever o porquê: porquê, porque, por que e por quê.

Porquê – É um substantivo, por isso somente poderá ser utilizado, quando for precedido de artigo (o, os), pronome adjetivo (meu(s), este(s), esse(s), aquele(s), quantos(s)…) ou numeral (um, dois, três, quatro).

Ex. • Ninguém entende o porquê de tanta confusão.

• Este porquê é um substantivo.

• Quantos porquês existem na Língua Portuguesa?

• Existem quatro porquês.

Por quê – Sempre que a palavra que estiver em final de frase, deverá receber acento, não importando qual seja o elemento que surja antes dela.

Ex. • Ela não me ligou e nem disse por quê.

• Você está rindo de quê?

• Você veio aqui para quê?

Por que – Usa-se por que, quando houver a junção da preposição por com o pronome interrogativo que ou com o pronome relativo que. Para facilitar, dizemos que se pode substituí- lo por por qual razão, pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais, por qual.

Ex. • Por que não me disse a verdade? = por qual razão

• Gostaria de saber por que não me disse a verdade. = por qual razão

• As causas por que discuti com ele são particulares. = pelas quais

• Ester é a mulher por que vivo. = pela qual

Porque – É uma conjunção subordinativa causal ou conjunção subordinativa final ou conjunção coordenativa explicativa, portanto estará ligando duas orações, indicando causa, explicação ou finalidade. Para facilitar, dizemos que se pode substituí-lo por já que, pois ou a fim de que.

Ex. • Não saí de casa, porque estava doente. = já que

• É uma conjunção, porque liga duas orações. = pois

• Estudem, porque aprendam. = a fim de que

ONDE  OU  AONDE

Onde – lugar em que alguém está ou onde acontece algum fato.  Onde nos fornece a noção de permanência, ininterrupção, estaticidade.  E completa verbos que manifestam, que comunicam estado ou continuidade (achar-se, encontrar-se, estar, ficar, morar, vir…).  Podemos descobrir rápido se devemos usar onde, e não aonde, se na frase couber a preposição em (ou na, da):

Onde ela se encontra agora?
– Em casa, descansando.

Onde fica a Argentina?
– Na América do Sul.

De onde veio esse povo todo?
– Da procissão.

Usa-se onde, portanto, com verbos que sinalizem, aludam   ou evidenciem estado, duração, estabilidade:

Onde vai ser o comício? 
Onde eu estava mesmo?
Onde Marlene mora? 
Onde está Marcela, afinal? 
E enquanto isso, onde ficaremos?!
Afinal, onde passaremos as férias?
Joana mora em Paris.  (Mora onde?)  
Paula está em Armação de Búzios.  (Está onde?)
 
Aonde (prep. a + adv. onde) – a que lugar, para algum lugar.  Transmite a ideia de aproximação, movimento, deslocamento, destino, partida ou regresso.  Aonde se usa com os verbos ir, levar, chegar, retornar e outros que pedem a preposição a.

Aonde ela irá amanhã?
– A Iguaba Grande.
 
Você sabe aonde eles foram?
– Ao cinema.
 
Aonde nos levará tanta discórdia?
– A lugar algum. 
 
Aonde assinala lugar real, concreto, perceptível pelos sentidos; seu uso abrange, pois, as ocorrências nas quais a noção de lugar se mostre explícita, inequívoca. Usa-se aonde se, na construção frasal (enunciado), existir a concepção de destino, subentendendo o deslocamento de um lugar para outro, em frases com verbos de movimento:

1 – Ir:
Maria foi ao mercado.  (Ela foi aonde?)
 
2 – Chegar: Márcia chegou ontem a São Paulo.   (Ela chegou aonde?)
                         Aonde você quer chegar?

3 – Levar:
Carla levou o namorado ao Pão de Açúcar.  (Ela o levou aonde?)
 
4 – Dirigir-se:
Fabíola se dirigiu ao aeroporto.  (Ela se dirigiu aonde?) 

Portanto, caso exista a preposição “a” indicando movimento (ir a, dirigir-se a, levar a, chegar a…), emprega-se “aonde”, e não “onde”.

BEM x BOM       MAL  x MAU

BEM, é um substantivo que, no dicionário ajuda a confundir mais: é tudo o que é bom.

BOM, é um adjetivo que se diz de quem possui qualidades adequadas a sua finalidade.

MAL, substantivo, tudo que se opõe ao bem, prejudica, incomoda e até pode ser imoral.

MAU, adjetivo, que não é de boa qualidade, maldade, prejudicial, ruim, que causa mal.

ESTE E ESTA   OU   ESSE E ESSA

a) Este, esta e isto são usados para objetos que estão próximos do falante. Em relação ao tempo, é usado no presente.

Exemplos:

  • Este brinco na minha orelha é meu.
  • Este mês vou comprar um sapato novo.
  • Isto aqui na minha mão é de comer?

b) Esse, essa, isso são usados para objetos que estão próximos da pessoa com quem se fala, ou seja, da 2ª pessoa (tu, você). Em relação ao tempo é usado no passado ou futuro.

Exemplos:

  • Quando comprou esse brinco que está na sua orelha?
  • Esse mês que virá vai ser de muita prosperidade!
  • Isso que você pegou na geladeira é de comer?

Quando ficar com dúvida a respeito do uso de “esse” ou “este” lembre-se: “este” (perto de mim, presente) e “esse” (longe de mim, passado e futuro).

 Em relação ao LUGAR
 
O lugar onde o falante está: este.

O lugar onde o ouvinte está: esse.

O lugar distante do falante e do ouvinte: aquele.

Exemplos:

  • Este quarto é o meu quarto.
  • Essa poltrona onde você está sentado pertenceu ao meu avô.
  • Aquele casarão antigo por onde passamos todos os dias será demolido amanhã.

Em Relação ao TEMPO

Presente e futuro muito próximo: este.

Passado e futuro próximos: esse.

Passado distante: aquele.

Exemplos:

  • Este ano (= 2010) eu vou tirar férias em dezembro.
  • Esta noite (= a de hoje) vou ao cinema.
  • O ano de 2005 me trouxe muitas alegrias. Nesse ano eu viajei a Paris, conheci meu grande amor e ainda consegui um novo emprego.
  • A primeira Copa do Mundo foi disputada em 1930. Naquela época, o jornal era o principal meio de comunicação.

Em relação ao DISCURSO

O que vai ser mencionado: este/isto.

O que se mencionou antes: esse/isso.

Entre dois ou três fatos citados: o primeiro que foi citado = aquele; o do meio = esse; o último citado = este

Exemplos:

  • É isto que eu digo sempre: cultura é fundamental.
  • Meu irmão vive repetindo este provérbio: “Casa de ferreiro, espeto de pau”.
  • “Casa de ferreiro, espeto de pau.” Meu irmão vive repetindo esse provérbio.
  • O fumo é prejudicial à saúde. Isso já foi comprovado cientificamente.
  • O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser preservada.

 POR OU PÔR

Por é uma preposição.

Exemplo 1: As moléculas passam por um poro da membrana.

Exemplo 2: As bactérias morreram por causa do antibiótico.

Pôr é um verbo.

exemplo: Após a dissolução completa chegou o momento de pôr a solução para ferver.

PODE E PÔDE

Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3ª pessoa do singular.

Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.

Hoje eu vou postar as excelentes dicas de Valéria Magalhães e do Prof. Wesley Pontes.

Essa é a sugestão da Valéria:

Todo o mundo tem dúvida, inclusive você

Autor: Edison de Oliveira

Editora: Doravante

Nada mais verdadeiro do que o título desta obra. A língua portuguesa é um idioma que possui muitas regras e, mais ainda, exceções; a quantidade de vernáculos derivados de outros idiomas a tornam uma variada “salada cultural”, e apesar de originar-se essencialmente do grego e do latim, acaba-se sendo necessário ter conhecimento de diversas outras línguas para entender o português. Espectador ou expectador? Terraplanagem ou terraplenagem? Há ou a? Muitas são as dúvidas e confusões, mas há uma certeza: o domínio deste difícil idioma é necessidade absoluta para qualquer área em que se queira ter sucesso.

Agora, a sugestão do Prof. Wesley Pontes:
 
Preconceito linguístico – o que é, como se faz
 
Autor: Marcos Bagno
 
Editora: Loyola
 
Obra de militância e combate, Preconceito lingüístico chega agora numa versão inteiramente revista e ampliada. Incorporando as discussões e propostas mais recentes das ciências da linguagem e da educação, Marcos Bagno reitera seu discurso em favor de uma educação lingüística voltada para a inclusão social e pelo reconhecimento e valorização da diversidade cultural brasileira.
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