Arquivo do dia: 11/05/2011

PROFISSÃO: a difícil tarefa de escolher qual seguir

Olá!

Recebi no colégio, semana passada, a visita de Suzi Ewald. Ela está terminando o curso de Comunicação Social da UFJF e veio conversar comigo sobre as escolhas de profissões.

Na última segunda-feira (09/05) nosso bate-papo foi incluído na matéria que Suzi postou no ‘JF em Pauta’ (Produção laboratorial em Jornalismo Hipermídia da UFJF). Gostei muito do texto e vou reproduzi-lo aqui. Antes, porém, o crédito justo aos coordenadores da produção: Profa. MS Diana Paula de Souza e Prof. Dr. Bruno Fuser.

“Eles têm entre 17 e 18 anos de idade e, na maioria das vezes, se sentem confusos e indecisos. Esse é o perfil dos alunos que estão se preparando para prestar o vestibular pela primeira vez. Além da preocupação de estudar, e muito, para conseguir uma das vagas oferecidas pelas melhores universidades, o medo de errar na hora da escolha do curso certo causa ainda mais frustrações e angústias. Para que nenhum esforço seja feito em vão durante todo o processo de transição do ensino médio para a vida acadêmica, os passos dados devem ser cautelosos, a fim de conciliar todas as barreiras existentes, porém necessárias, para o ingresso em uma vida de sucesso futuro.

Diante da proximidade da chegada das inscrições nos vestibulares, um turbilhão de dúvidas vai surgindo. As dificuldades aumentam, se as questões não forem avaliadas com calma. Todo esse processo, segundo especialistas, é visto de um modo produtivo, pois no final do percurso os jovens se conhecem mais e ficam mais seguros da escolha que fizeram. Analisar os cursos oferecidos, avaliar as oportunidades de mercado, entender qual é a verdadeira função das profissões, sem se esquecer de notar os prós e os contras, são fatores imprescindíveis para que o jovem não caia em uma canoa furada.

Além das buscas por informações sobre o que cada curso pode oferecer profissionalmente, é necessário que todos os candidatos estejam cientes de que, depois de ingressarem na faculdade, as dificuldades ainda poderão existir. Não é descartável a possibilidade de mudanças que resultarão em novos caminhos, até então desconhecidos. Portanto, a escolha da profissão é considerada, em alguns casos, somente a primeira etapa de sua vida profissional.

Outra opção para facilitar a escolha da futura carreira é a busca pelas orientações vocacionais, que algumas vezes são oferecidas por empresas especializadas, e outras por escolas e cursinhos, como é o exemplo do Colégio e Curso Apogeu, em Juiz de Fora. A unidade tem um programa de orientação direcionado para alunos que vão prestar vestibular, seriado ou não. A orientação é feita através do acompanhamento da psicopedagoga do colégio, Clara Lucia Duarte. O trabalho é divido em etapas, pois a psicopedagoga acredita ser um processo muito mais eficiente do que avaliar o aluno simplesmente com o teste vocacional.

 A psicopedagoga Clara Lucia Duarte, do Colégio Apogeu, auxilia os alunos na escolha da profissão, a partir de um processo diferenciado de orientação vocacional.

 

Na primeira etapa, Clara elabora um questionário no qual o resultado demonstra o temperamento e a personalidade de cada aluno. Ainda nesta fase, já são excluídos alguns cursos, uma vez que não seria eficiente direcionar, por exemplo, um estudante tímido para uma profissão que exige facilidade de expressão e nenhuma inibição. A personalidade do jovem é um bom indício para diminuir o leque de possibilidades que são oferecidas pelas universidades, explica a profissional. O segundo estágio consiste em entrevistas individuais com os candidatos para direcioná-los para a área de saúde, exatas ou humanas. Então, são apresentadas as profissões que estão inseridas em cada área.. Quando o aluno chega a uma conclusão, a orientadora pede para que o jovem faça um estudo geral do curso. “Os alunos estão em fase de auto-conhecimento, sendo mais fácil demonstrar para eles quais são os cursos que criam um laço com sua personalidade. Já nesta fase eles até se surpreendem por terem características que se identificam muito com a conclusão que chegamos”, explica a psicopedagoga. Clara ainda ressalta a existência de alguns fatores dificultadores para a escolha do curso. “Nós temos um grupo que escolhe a profissão pela maior probabilidade de obter sucesso profissional, que não se importam muito com o prazer de se fazer o que gosta. Temos o grupo que faz vestibular seriado e a partir do resultado dos dois primeiros anos escolhe um curso que está dentro das possibilidades de ser aprovado. E, ainda, o grupo que acredita que o mercado está saturado e não quer entrar nesse mercado competitivo, temendo o risco”. Para quem se enquadra no último exemplo, Clara insiste que o trabalho bem realizado ultrapassa a saturação do mercado e conquista a confiança de seu público, e que os indícios de excesso de mão de obra não devem ser um fator preocupante. Aline Dias, 17 anos, exemplifica bem este último caso. “Sei que hoje existem muitas pessoas formando em Direito, mas esse curso foi o que eu sempre quis fazer, por ter em casa um exemplo de advogado. Eu não me importo com o mercado: sei que serei uma ótima profissional”, conta a estudante que fará o vestibular no final do ano e está super confiante.

Por fim, é necessário que os jovens tenham a certeza de que uma boa profissão também terá seus dias ruins e é preciso estar preparado para enfrentá-los, sem desanimar. Também não é somente uma boa faculdade que o deixará livre do desemprego. A carreira bem-sucedida é o resultado da afinidade com a profissão somada ao trabalho feito com prazer, destaca Clara Lucia.”

 

Suzi, parabéns pelo trabalho e obrigada pelo carinho!

 

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BULLYING: Menino de 13 anos tenta suicídio. Exagero considerar ‘bullying’ crime?

Gente, bom dia!

Estou muito triste com a matéria que acabo de ler no Jornal O Globo, sobre um menino de 13 anos que tentou suicídio por ter sofrido bullying. O texto de Ediane Merola traz a notícia de que a Secretaria Municipal de Educação determinou que a Coordenadoria Regional de Educação (CRE) verifique uma denúncia de bullying contra um menino de 13 anos, que teria tentado o suicídio na sexta-feira passada depois de ser agredido por colegas dentro da sala de aula, na Escola Municipal Rondon, em Realengo.

É muito assustador, ainda, perceber que o caso ocorreu no mesmo bairro da Tasso da Silveira, instituição onde 12 estudantes foram assassinados pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira, há um mês.

A vítima desta vez estaria sendo alvo de deboche há meses e, depois de ser agredido, saiu mais cedo do colégio, foi para a casa e tomou vários remédios controlados usados pela avó. O garoto teve parada cardíaca e está internado num hospital particular na Zona Oeste. Segundo a secretaria, se a CRE apurar que o aluno foi vítima de bullying no interior da unidade escolar, será aberta sindicância para apurar os fatos.

O menino estudava na Rondon há dois anos e seria um bom aluno, com rendimento acima da média, o que lhe rendeu apelidos como “CDF” e “mariquinha”. Desde o fim do ano passado ele vinha sofrendo agressões verbais e a família já teria pedido a troca de turma, o que não foi atendido. Na sexta-feira passada, os colegas teriam extrapolado, a ponto de deixar o estudante com a blusa rasgada. Envergonhado, ele saiu mais cedo da escola e, segundo parentes, passou pelo portão da unidade sem ser abordado por funcionários.

A avó e o pai do menino não estavam em casa quando ele chegou. Sozinho, tentou pôr fim a própria vida, ingerindo uma grande quantidade de comprimidos. Os familiares encontraram o estudante desacordado e o levaram para o hospital, em estado em grave. Depois de passar alguns dias no CTI, ele agora se recupera num quarto, mas seu estado emocional ainda preocupa.

A secretaria de Educação informou que colocará a equipe Programa Interdisciplinar de Apoio às Escolas Municipais (Proinap), composta por psicólogos e assistentes sociais, para acompanhar o aluno. Em nota, a secretaria disse que em abril do ano passado lançou o Regimento Escolar Básico para as escolas da rede pública municipal. Entre outras medidas de caráter pedagógico e disciplinar para os alunos, o regimento proíbe a prática do bullying. As punições vão da advertência ao encaminhamento dos casos mais graves aos conselhos tutelares. A SME informa, ainda, que está implantando o programa de Justiça Restaurativa, com mediação de conflito, nas 151 unidades do Escolas do Amanhã, localizadas em áreas conflagradas da cidade.

Segundo a nota, todas as escolas são orientadas a trabalhar a questão com os alunos de forma interdisciplinar e professores e diretores têm sido capacitados para tratar do tema, em ações promovidas pelo Núcleo Interdisciplinar de Apoio às Unidades Escolares. A Secretaria ressalta que a prática do bullying não será permitida nas escolas da prefeitura.

Enquanto nos informam sobre esse aluno do Rio, em São Paulo Luísa Alcade fala, no Jornal da Tarde, sobre os Promotores da Infância e Juventude de São Paulo que querem que o ‘bullying’ seja considerado crime. Um anteprojeto de lei elaborado pelo grupo prevê pena mínima de um a quatro anos de reclusão, além de multa. Se a prática for violenta, grave, reiterada e cometida por adolescente, o autor poderá ser internado na Fundação Casa, a antiga Febem.

Alcade enfatiza que a  proposta prevê que poderá ser penalizada a pessoa que expuser alguém, de forma voluntária e mais de uma vez, a constrangimento público, escárnio ou qualquer forma de degradação física ou moral, sem motivação evidente estabelecendo relação desigual de poder. Estão previstos casos em que a pena pode ser ampliada, como quando é utilizado meio eletrônico ou qualquer mídia (cyberbullying). “Hoje, como não há tipificação legal específica, os casos que chegam são enquadrados geralmente como injúria ou lesão corporal”, explica promotor Mario Augusto Bruno Neto, secretário executivo da promotoria.

Como o ‘bullying’ e o cyberbullying são praticados na imensa maioria dos casos por crianças e adolescentes, os promotores vão precisar adaptar a tipificação penal dessas práticas ao que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O anteprojeto será submetido, no dia 6 de maio, a aprovação na promotoria e, depois, encaminhado ao procurador-geral do Ministério Público (MP), Fernando Grella Vieira, que deverá enviar o texto a um deputado para que o documento seja encaminhado ao Congresso. Antes disso, porém, a proposta será divulgada no site do MP para consulta pública. “Queremos que a população envie sugestões para que possamos aperfeiçoá-la”, explica o promotor Bruno Neto.

A educadora Madalena Guasco Peixoto, da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), considera a proposta exagerada. “Essa questão não se resolve criminalizando, e para casos graves já existe o crime de lesão corporal”, opina. “As escolas precisam assumir a responsabilidade e, se tiver de haver punição, que seja aplicada pelos estabelecimentos de ensino”, defende. “O problema é que as escolas estão sendo omissas”, rebate o promotor Thales Cezar de Oliveira, que também assina o anteprojeto de lei.

Por enquanto ficamos aqui, estudando, refletindo e colocando em prática estratégias e atividades para conscientizar tal barbaridade.

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