BULLYING: a banalização

Bullying, bullying, bullying… Segundo Hélio Chaves, jornalista colaborador da Rádio do Moreno, esta tem sido a expressão mais ouvida e dita nos últimos tempos. O termo é utilizado para descrever atos de violências físicas ou psicológicas, intencionais e repetitivas, que objetivam intimidar ou agredir determinado indivíduo ou grupo de indivíduos, considerados incapazes de se defenderem.

Leiam na íntegra o texto que o jornalista escreveu para o blog do Globo on line:

O bullying também tem sido usado frequentemente como álibi ou desculpa para justificar insanidades, descontroles e práticas de violências de toda espécie. Um jovem “invisível e estranho” à sociedade invade uma escola em Realengo, no Rio, e ceifa vidas inocentes a tiros. As gravações e manuscritos deixados por ele, mostraram que o ato tresloucado seria executado na mesma instituição de ensino onde ele foi aluno há alguns anos. O motivo? Teria sido vítima de bullying,.
O vídeo de um menino que lança um outro ao chão, na Austrália, bateu recordes de acessos na internet. Rendeu entrevistas e a audiência desejada pelos canais de TV, que exibiram exaustivamente a cena e transformou a vítima-agressora em herói. O exterminador de Realengo ficou maravilhado com a atitude do garoto e com cenas de crimes praticados nos mesmos moldes, com a mesma frieza e crueldade como o que foi praticado por ele.
Os maus exemplos caíram como uma “luva”. Enfim, o “monstro de Realengo” pode executar o plano macabro, que havia planejado com antecedência. Mais uma vez a mídia “cumpriu seu papel”. Exauriu a todos com exibições de cenas violentas, vídeos e imagens do algoz morto, choros, depoimentos de familiares e amigos de vítimas. Como não poderia deixar de ser, a comoção foi nacional e a notoriedade desnecessária do mensageiro da morte, que cometeu a maior atrocidade ja vista no Brasil até aquele dia, também.
No Congresso Nacional, o Senador Roberto Requião (PMDB-PR), arrancou das mãos de um repórter o gravador usado como instrumento de trabalho, que foi devolvido depois de apagadas as gravações. Requião não gostou de uma pergunta feita a ele. O senador foi à tribuna da casa do povo, que o abriga e a outros “exemplares de homens retos”, para tentar justificar sua atitude arrogante e truculenta. Num discurso desprovido de realismo invocou seus pares a reagirem contra o que chamou de “bullying da imprensa”, praticado sistematicamente contra “homens probos” como no seu caso.
Se a moda pega, vamos acabar convivendo com outros absurdos como este. Torcedores que espancarem até a morte um torcedor adversário, alegarão bullying futebolístico. Jovens agressores de homossexuais dirão que sofreram bullying pela opção sexual do outro. Pais, filhos e irmãos que se matarem, vão dizer que foram acometidos pelo bullying familiar. Bandidos e narcotraficantes que fogem aos bandos de favelas pacificadas, denunciarão o bullying policial e os mensaleiros de todas as matizes recorrerão à tática do “bullying Requianêz”.
Mortais como nós podem alegar perseguições por bullying´s inflacionários, das altas de juros, da falência dos serviços públicos, da inércia judiciária, entre outros. Os mais desvalidos dos brasileiros, que não são poucos, com toda justeza, farão coro contra os bullying´s sistemáticos do Estado contra eles, pela falta de emprego, de moradia, de salário digno, de respeito ao ser humano e a vida. E, porque não, contra as diversas formas de fome a que são submetidos e obrigados a engolir com resignação.
Os direitos e deveres contidos na Carta Magna, estão impressos, mas não expressos. Foram relegados a um segundo plano. A moda agora é banalizar o bullying de acordo com a conveniência de  “mocinhos ou bandidos” para a defesa de atos condenáveis.

Como dizia minha mãe: é o fim da picada!

 

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