BULLYING, isso não é coisa de criança…

O ‘bullying’, a cada dia, tem ganhado mais espaço na mídia. Ainda que o triste caso de Realengo seja o motivo desse espaço, só o fato de cercar o assunto, trazendo à tona as histórias sofridas de muitas pessoas, mostrando os traumas, já acalma nosso desejo de expor, sensibilizar e buscar resultados para essa agressão cruel.

O jornal Extra (RJ), nesse domingo, trouxe uma matéria de Carolina Marques bem esclarecedora. A jornalista cita o caso de F. G. C. S. que recebeu, durante toda a infância e adolescência, nos colégios pelos quais passou, apelidos nada inocentes e delicados. F., relata que hoje sofre de síndome do pânico por causa de tantas pessoas sem coração.

Segundo o texto de Carolina, os casos como os de F. proliferam no mundo. A prática é a que mais cresce no mundo e preocupa autoridades, pais e professores.

Para Maria Tereza Maldonado, autora do livro “Bullying e Cyberbullying — O que fazemos com o que fazem conosco?” e entrevistada pela jornalista, as vítimas de bullying, normalmente, são aquelas fora dos padrões de beleza impostos por um grupo ou sociedade.

Como já colocamos aqui no site, Maria Tereza deixa claro em sua pesquisa que existem três grupos: os agressores, as vítimas e os espectadores do bullying. E ressalta que uma vítima pode ser também um praticante: É como se ele precisasse descontar em outro. Comumente, a vítima também oprime alguém, reproduz o comportamento do agressor. Não é útil ver a vítima como totalmente frágil e o autor totalmente “fortão”.

Leia trecho da matéria:

Sinais de alerta

Mas como saber se seu filho ou aluno está inserido num dos grupos de bullying e não pensar que o assunto é frescura ou uma brincadeira de criança?

— Medo de ir à escola, material escolar destruído ou rasgado, dinheiro ou merenda roubada constantemente, enjoos e dores de cabeça nas horas que antecedem a ida para o colégio ou a queixa destes sintomas antes da hora da saída ou do recreio, queda no rendimento escolar e vontade de mudar de escola. Se seu filho tem algum destes sintomas, fique atento — diz o educador Gustavo Teixeira, em seu livro “Manual antibullying”.

A prática pode estar em casa

Para o ator e autor Mar’Junior, de 50 anos, da Cia Atores de Mar, o bullying começou na própria casa. O pai, um homem autoritário e intolerante, frequentemente chamava o filho de burro. A insistência era tanta que Mar’Junior repetiu os primeiros anos primário, ginasial e científico.

— Tinha pavor de fazer prova, aquilo era um sofrimento para mim. Mesmo adulto, dirigi anos sem carteira de motorista porque tinha ataques de ansiedade com a prova. Testes em emissoras de TV também nem pensar — descreve ele, que hoje tenta ajudar crianças e jovens que passam por situação semelhante levando às escolas o espetáculo “Bullying”: — Fazemos uma abordagem do assunto através de esquetes. A peça dura 30 minutos e ao final sempre promovemos um debate com os estudantes. O fato é que as pessoas não estão preparadas para lidar com essa onda de violência, que muitas vezes pode parecer apenas uma brincadeira não muito inocente.

O dia do revide

De tanto sofrer com as agressões em casa, Mar’Junior também foi uma vítima na rua. Cansou de apanhar dos “colegas”, até o dia do revide. Quando bateu em alguém, tornou-se um agressor. Formou uma espécie de bando e aterrorizou outros meninos que considerava “fracotes”.

— Quem sofre o bullying, em algum momento, tenta descontar essa raiva contida, o que está errado. Só com diálogo é possível mudar este cenário. Os pais têm que ser mais parceiros de seus filhos, ouvi-los, compreendê-los e estabelecer limites — aconselha ele, pai de duas meninas na faixa de 20 anos.

Tanto Maria Tereza Maldonado quanto Mar’Junior são enfáticos ao dizer que mesmo tendo sofrido bullying, Wellington Menezes de Oliveira não causou o massacre de Realengo por conta disso, mas sim por problemas psicológicos. Mas alertam que as marcas dessa prática são para a vida toda quando não percebidas ou tratadas.

— O bullying está em todas. Nas escolas públicas e particulares. É preciso que haja empenho para desenvoler um programa antibullying. E a melhor forma é reestabelecer o respeito que tem que haver entre seres humanos — ensina Mar’Junior.

Para encerrar, quero aproveitar e deixar aqui os parabéns para a Carolina Marques.

Carolina, seu material ficou excelente!

Para ler o texto na íntegra, acesse: http://extra.globo.com/casos-de-policia/manual-ensina-identificar-se-seu-filho-esta-praticando-ou-vitima-de-bullying-1608426.html

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Bullying

2 Respostas para “BULLYING, isso não é coisa de criança…

  1. Eu é que devo agradecer o trabalho de vocês!!!
    Sucesso!!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s