Desabafo 2: A leitura

“Um país se faz com homens e livros” (Monteiro Lobato), mas, ainda assim, temos estatísticas nacionais demostrando que, em média, apenas quatro em cada dez brasileiros têm algum contato com livros em nosso país. O índice de leitores regulares de nosso país é de, aproximadamente, 16% da população. Há em solo brasileiro apenas 1500 livrarias. Em cerca de 1300 cidades do Brasil não há biblioteca pública.
O livro é, para os brasileiros, um produto caro, em virtude disso, acabou se tornando um luxo pelo qual as pessoas, especialmente as mais humildes, não se dispõem a adquirir.
As políticas públicas não consideram investimentos em livros (a não ser impressos didáticos) como merecedores de cotas maiores dos orçamentos municipais, estaduais ou federal.
Só o que se vê é uma luta de alguns apaixonados por livros (professores, jornalistas, profissionais liberais) manifestando-se em favor da leitura e da melhoria das bibliotecas de seus municípios, quando elas existem. Mas essa mobilização é escassa!
Tatiana Belinky, escritora infantil nascida em 1919, declarou em reportagem ao Estadinho, suplemento infantil do jornal “O Estado de São Paulo” que “o que motiva uma criança a ler é ver os pais, tios e avós lendo”.
A continuidade desse trabalho, que deveria começar na família, depende de projetos que permitam às escolas contar com bibliotecas equipadas, atualizadas e orientadas a partir de projetos pedagógicos.
Para encerrar as informações, sou realista para compreender que o surgimento de uma população mais esclarecida e atuante em nossa nação, contrasta com os interesses da classe política dominante, que prefere manter a massa na ignorância para fazer uso político da mesma e orientar suas preferências a partir de versões modernas dos cabrestos de tempos atrás.
Mesmo assim, insisto que, como educador e cidadão (que todos somos), pautados em uma formação na qual livros foram companheiros constantes e inseparáveis, levando a uma compreensão maior dos fatos, fenômenos e relações que a todos envolvem, não há formação plena e crítica que capacite para a análise e pleno exercício da cidadania (com direitos e deveres) sem a leitura e que, não há possibilidade real disso, sem efetivar livros e bibliotecas.
Encerrando, a célebre frase de Monteiro Lobato, mais do que enriquecer um texto, nos faz pensar com carinho e engajamento a questão para que realmente se realizem e se concretizem projetos e movimentos em favor da leitura.

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